A hora e a vez da SAF


Por Claudemir Gomes*

A Sociedade Anônima do Futebol – SAF – passou a ser o assunto dominante nos meios esportivos, com o anúncio da compra de 95% do futebol do Cruzeiro pelo empresário, Ronaldo Nazário, ex-jogador do clube. O investimento foi na ordem de R$ 400 milhões.
Na busca por mais informação sobre o milionário negócio, que deverá ser o marco de um novo tempo no combalido futebol brasileiro, liguei para o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que em 1989, num relatório publicado pelo CND, após tomar ciência da realidade de 27 federações, apontava a Sociedade Anônima como alternativa de crescimento para os clubes brasileiros.

No início dos anos 2000, ao participar do programa, Domingo Esportivo, ancorado pelo competente, Ednaldo Santos, na Rádio Jornal, e também em várias publicações no seu blog, José Joaquim se mostrou enfático, e intransigente, na defesa do Clube Empresa, um caminho a ser seguido pelas agremiações do futebol brasileiro, que nas últimas décadas foram dragadas por gestões trágicas, onde dirigentes e empresários estavam preocupados em encherem suas “burras”, nem que para isso tivessem que esvaziar os cofres dos clubes.

A maioria do torcedor brasileiro não sabe como funciona a SAF. Para início de conversa, os “amantes” continuarão chamando o clube de seu. Trocando em miúdo, podemos dizer que a SAF, não é outra coisa senão a oficialização de um futebol autônomo. Azevedo nos mostrou que, “em Portugal todos os clubes profissionais aderiram a SAF”.

A Sociedade Anônima, os seja, os investidores, cuidam do futebol: contratam, vendem jogadores e lucram com outas receitas. Vale ressaltar que, o negócio futebol é um dos mais lucrativos na ordem mundial. O clube segue faturando com sua marca: receita de bilheteria de jogos; venda de camisa; patrimônio e outros esportes como vôlei, natação, basquete e a parte social.

A SAF fica com os recursos gerados pelo futebol: contratos de transmissão de jogos; premiação por participação em competições; venda de jogadores, patrocínio em camisas etc. Não existe um percentual fixo para a Sociedade Anônima. Na opinião de José Joaquim Pinto de Azevedo, que defende o programa há mais de 30 anos, o ideal para os clubes brasileiros seria a venda de “no máximo 58% para os investidores, ficando 42% para o clube, o que lhe garantiria uma participação no lucro do negócio futebol”.

“A negociação para adesão a SAF vai depender do entendimento de cada clube com a empresa investidora. O que torna o processo difícil é o fato de que, os dirigentes e os conselheiros não vão mais ter influência no futebol, ou seja, em contratações de técnicos, jogadores, profissionais. A dificuldade está no corte deste cordão umbilical”, explicou Azevedo.

Resumindo: O futebol não pode ser mais chamado de “profissional” sendo administrado por dirigentes amadores que, facilmente são ludibriados por empresários salafrários que não têm nenhum compromisso com os clubes.

A próxima grande grife do futebol brasileiro a aderir a SAF é o Botafogo Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro, que no Século XX se notabilizou como um dos clubes que mais cedeu jogadores para à Seleção Brasileira nas conquistas dos primeiros títulos mundiais.

A pergunta que não quer calar: Quando os grandes clubes pernambucanos irão aderir a SAF?

*Jornalista

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