Carimbo de Cunha e racha na bancada
Renata Bezerra de Melo
Folha-PE
Foi o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, que decidiu pelo afastamento do deputado federal Eduardo Cunha, da presidência da Câmara Federal. Considerou que ele “não tinha condições pessoais mínimas” de presidir a Casa. A decisão da Suprema Corte soara como um ponto a favor do presidente interino, Michel Temer, que, em tese, distanciava-se, assim, do vínculo com Cunha, sem precisar ter ele mesmo a iniciativa de trabalhar contra. Agora, a convite do próprio Temer, a gestão peemedebista buscou ligação com Cunha, via novo líder da bancada governista, André Moura. Nos bastidores, corre que o presidente interino teria ficado acuado e aceitara “como fato consumado” a indicação do centrão, bloco de 13 siglas, que inclui partidos como PP, PR e PSD e tem volume de votos que interessa ao governo. A opção, no entanto, levou, ontem, aliados de Temer, a exemplo dos deputados federais Jarbas Vasconcelos e Betinho Gomes, à tribuna, para criticar a escolha. Em outras palavras, mal a administração Temer teve início, e a base governista já está rachada. Da residência oficial, onde se encontra, Cunha mostra que exerce a mesma ou maior influência sobre deputados, a despeito da medida tomada pela Suprema Corte. São três poderes afrontados.
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