Caos traduz trecho urbano da BR-101
Rosália Vasconcelos
Diário de Pernambuco
Os números de acidentes e mortes ocorridos no trecho urbano da BR-101, que corta a Região Metropolitana do Recife, traduzem os riscos pelos quais passam motoristas e pedestres que precisam circular por essa estrada. Foram 1.429 acidentes registrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), entre janeiro e dezembro de 2015, apenas nesse trecho. Os problemas na via, como as enormes crateras e fissuras na pista, são a terceira maior causa do grande número de ocorrências. Mas outros motivos, como falta de atenção, desobediência à sinalização e defeito mecânico nos veículos, podem ter sido, indiretamente, causados pelo péssimo estado de conservação da BR-101 na RMR.
O Diario percorreu os 30,7km da via que cortam a Região Metropolitana do Recife (RMR), entre o início do município de Jaboatão dos Guararapes até a cidade de Abreu e Lima. A proposta era detectar os pontos mais críticos no trecho urbano da rodovia federal. Foi difícil. Nos quilômetros “menos ruins”, entre o Terminal Integrado da Macaxeira e o viaduto que corta a Avenida Caxangá, o motorista ainda se depara com remendos desnivelados, longas fissuras e buracos que não cabem um pneu mas danificam o sistema de amortecimento de um veículo e desequilibram motociclistas. Do viaduto da reitoria da UFPE até a Ceasa, o estado da rodovia ainda é aceitável, porque recebeu serviços paliativos no fim de 2015.
“Temos diversos estudos na UFPE que apontam que esse grande número de acidentes é motivado pelo péssimo estado de conservação da via. Se há quilômetros com muitas ocorrências e outros não, não faz sentido que o motorista fosse imprudente em alguns trechos e outros não. A falta de iluminação e da sinalização, os desníveis e a geometria do trecho urbano da BR-101 na RMR são os muitos problemas que explicam esse alto número de acidentes”, justifica o professor de Engenharia Civil da UFPE, Maurício Pina.
Segundo ele, nos 213 km da BR-101 que cortam Pernambuco têm mais acidentes do que nos 555 km da BR-232 que também cortam o estado. “A BR-101 é muito urbana. Da Avenida Caxangá até a Ceasa, passam 60 mil veículos por dia, enquanto entre Recife e Caruaru, pela BR-232, trafegam 25 mil veículos diariamente”, compara Pina.
Até mesmo nos quilômetros que receberam obras de recapeamento, como o trecho da BR-101 que corta o bairro do Ibura, no Recife, os remendos no asfalto já estão se desgastando com as últimas chuvas. As fissuras e buracos exige mais atenção do motorista ao trafegar nessa parte da rodovia federal. “A PRF não pode classificar uma estrada como perigosa pelo estado de degradação, porque pode criar um problema institucional. Quem pode fazer isso é o Dnit. O que fazemos foi informar as causas dos acidentes e avisar ao órgão competente sobre a situação da rodovia”, explicou a assessoria da PRF.
Segundo a PRF, entre Abreu e Lima (km 40) e Cabo de Santo Agostinho (km 90), o trecho que concentra o maior número de acidentes está entre o km 60 e o km 70, justamente entre o bairro da Guabiraba e a Ceasa, no bairro do Curado. “O trecho urbano da BR-101 na RMR é um dos mais perigosos porque abrange cinco municípios de área metropolitana, cortando áreas residenciais, de comércio e de fábricas”, limita-se a Polícia Rodoviária Federal. No km 58, a situação da pista está tão precária que o comerciante João Delfino tem colocado areia para amenizar a buraqueira na pista. “Tem motorista que passa e dá um trocado porque estou fazendo o que o governo não faz. Mas também não adianta muito porque quando passa um caminhão ou muito carro, no fim do dia a areia cede e baixa de novo”, lamenta Delfino.
Mas a precariedade do trecho urbano da BR-101 não coloca em risco a vida só de motoristas. Há muitas paradas de ônibus ao longo dos 30,7km e, em alguns locais, os acostamentos estão impraticáveis para que o passageiro possa subir e descer. No km 53, as crateras são tão grandes que os motoristas dos ônibus, ao fazer a parada, precisam deixar a metade do carro em uma das faixas. A vegetação também cobre abrigos e placas de sinalização viária. “Eu já presenciei capotamento. Quem fica na parada tem medo de ser atingido também”, comentou a dona de casa Josilene Souza, 32 anos.
Perigo
Números e causas dos acidentes no trechos urbano da BR-101 na RMR
De janeiro a dezembro de 2015
Causa | Acidentes
Falta de atenção | 606
Não guardar distância de segurança | 192
Defeito na via | 87
Desobediência à sinalização | 70
Velocidade incompatível | 46
Ingestão de álcool | 38
Defeito mecânico em veículo | 20
Animais na pista | 18
Ultrapassagem indevida | 16
Dormir na direção | 14
Outras causas | 322
Total de acidentes: | 1429
De janeiro a abril de 2016
Causa | Acidente
Falta de atenção | 87
Não guardar distância de segurança | 28
Desobediência à sinalização | 16
Defeito na via | 12
Velocidade incompatível | 12
Ingestão de álcool | 07
Ultrapassagem indevida | 07
Animais na pista | 07
Defeito mecânico em veículo | 06
Dormir na direção | 03
Outras causas: | 97
Total de acidentes: | 282
Fonte: Polícia Rodoviária Federal.
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