A 34 dias para acabar semestre letivo, escola estadual ainda sem livros

Estudam na escola 878 alunos, que além do ensino médio fazem curso técnico.
Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

JC Online

A 34 dias para acabar o primeiro semestre letivo na rede estadual de ensino, não há livros de todas as disciplinas para alunos da Escola Técnica Almirante Soares Dutra, em Santo Amaro, área central do Recife. Para turmas do 1º ano faltam exemplares de biologia, inglês, história, matemática e português, segundo os estudantes. Concluintes do ensino médio dizem que estão sem livros de filosofia para todos os adolescentes. E que desde meados de março não há aula de física.

A unidade tem 878 alunos do ensino médio integrado e subsequente. Os estudantes passam o dia no colégio, com aulas das 7h às 17h. O ano letivo começou dia 3 de fevereiro. O primeiro semestre termina em 8 de julho.

Pai de um aluno do 1º ano do curso de meio ambiente, o motoboy Eraldo Chagas critica a falta de livros. “Meu filho não recebeu ainda livros de história, matemática e português. Assim fica difícil para acompanhar o que os professores ensinam, mesmo sendo um garoto estudioso. Ele até já pensou em desistir”, diz Eraldo. “Desde o início do ano cobro da direção uma resposta para essa situação. Dizem que estão buscando sobras em outras escolas. Também já mandei e-mail para a Secretaria de Educação e nada de se posicionarem”, complementa Eraldo.

Conforme Ramyslla Maciel, 16, aluna do 1º ano de meio ambiente, a saída para estudar sem livros é fotografar as páginas dos exemplares dos colegas que dispõem do material completo. “Isso não atrapalha só a gente, aluno. Prejudica o nome da escola. O governo deveria tomar providência. Há outros problemas na escola. Quem está limpando o mato ao redor do prédio somos nós, estudantes. A merenda é horrível”, afirma Ramyslla, que está sem livros de inglês e biologia.

Larissa Barros, 19 anos, e Ayalete Thâmara, 17, estudam no 3º ano, no curso de nutrição. Farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em novembro pois desejam ingressar, em 2017, no ensino superior. Sem professor de física há cerca de dois meses, elas estão preocupadas. “Pretendo concorrer no curso de medicina. Física é matéria importante, tem peso na minha nota. Estamos sendo prejudicados”, comenta Ayalete. “Outro problema é a precária estrutura da nossa sala. Não tem ventilador, quando chove alaga. Temos que ficar migrando para outras salas”, lamenta Larissa, que vai concorrer, na universidade, ao curso de nutrição.

A Secretaria Estadual de Educação informa que a escola não recebeu todos os livros para atender os estudantes dos 1º anos. “Porém essa demanda vem sendo sanada com o remanejamento de livros excedentes de outras escolas. São 14 estudantes que não receberam exemplares de todas as disciplinas”, observa o órgão. A promessa é de que o problema seja resolvido este mês. A secretaria assegura também que até o fim deste mês haverá professor substituto de física.

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