Dias de tensão a caminho - Magno Martins
São Paulo e Rio viveram, na semana passada, momentos de tensão e terror nas ruas, provocados por manifestantes mascarados inconformados com o aumento das passagens de ônibus metropolitanos. Tanto na capital paulista quanto na carioca, os adeptos da tática black bloc obrigaram os passageiros a deixar os ônibus coletivos – inclusive mães com crianças de colo – e quebraram os vidros dos veículos com muitas pedras, paus e correntes.
Pedestres e motoristas que passavam pela região de São Paulo e Rio ficaram muito assustados com a confusão. Até trabalhadores que estavam num caminhão de coleta de lixo foram ameaçados por mascarados. Veículos da CET, responsável pelo trânsito da cidade, foram atacados com correntes.
Agências bancárias e algumas lojas tiveram as fachadas de vidro depredadas, a exemplo do que se viu nos protestos de junho de 2013 – motivados também pela tentativa de reajuste do valor da passagem de ônibus. Foram atribuídos aos black blocs as depredações ocorridas em São Paulo.
O Governo chegou a emitir um comunicado. "A atuação criminosa dos black blocs atrapalhou o legítimo direito de manifestação dos demais passageiros. Os mascarados que atacaram ônibus e outros veículos públicos seriam "criminosos infiltrados, armados com escudos, paus, rojões e outros instrumentos. Eles passaram a praticar agressões, vandalismo e danificar propriedade pública e privada."
Tudo o que ocorreu no Rio e em São Paulo é muito lamentável, porque protestar pacificamente é um direito que todo cidadão tem, mas sem depredar bens públicos. Oxalá isso não venha a se repetir em outros Estados que não reajustaram ainda suas tarifas de ônibus, como é o caso de Pernambuco.
O secretário estadual das Cidades, André de Paula, informou, ontem, que o aumento das passagens será definido nos próximos dias. Segundo ele, o último reajuste aconteceu em 11 de janeiro de 2015, quando o anel A subiu de R$ 2,15 para R$ 2,45, e o anel G, de R$ 1,40 para R$ 1,60. Os outros não mudaram.
“O governo apresentará uma proposta e fará um esforço para fazer com que o realinhamento de preços seja o menor possível, sem comprometer a qualidade do serviço”, disse o secretário, adiantando que o Conselho Superior de Transporte Metropolitano está habilitado para considerar propostas. “Nós estamos fazendo estudos com muita consistência. Existem várias visões sobre essa questão, mas ela envolve uma decisão política de Governo”, afirmou.
André sabe que não será algo fácil de colocar em prática e por isso mesmo fala sobre o assunto como se estivesse pisando em ovos. “Se discutirmos todos os componentes econômicos, que são variáveis de uma equação, alguém vai pagar por isso". A política de transporte público é prioritária, mas ao Estado cabe assegurar a educação, a saúde, a segurança pública. E quando você erra na conta, você acaba subtraindo serviços de outro setor”, acrescentou.
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