Primeiros reflexos na bancada - Renata Bezerra de Melo

Folha-PE

A deflagração da Operação Vidas Secas, da Polícia Federal, na última sexta-feira, abriu mais uma rachadura no solo castigado do Sertão pernambucano e expôs as extensas raízes da corrupção que impedem a conclusão das obras da transposição do São Francisco. Iniciado ainda no ano de 2006 orçado em R$ 4,5 bilhões, o projeto teve o seu custo praticamente dobrado, em função dos atrasos na obra, que teria sido superfaturada em cerca de R$ 200 milhões. Para chegar a esta conclusão, a PF passou cinco anos investigando a atuação do Ministério da Integração, um verdadeiro feudo do PSB, desde o Governo Lula. Esteve sob o comando de Ciro Gomes, que agora está no PDT, e Fernando Bezerra Coelho, senador do Estado pelo partido. Além disso, até o ano passado, o chefe de Gabinete (em especial na gestão de Bezerra) era Alexandre Navarro, apadrinhado de Eduardo Campos, de quem era fiel escudeiro. Paradoxalmente, neste terreno seco e estéril, muita água ainda pode rolar.

Há quem diga que o PSB poderá se complicar ainda mais no decorrer das investigações da Operação Vidas Secas

Manifestações
Ontem, no protesto contra o governo Dilma, realizado no Marco Zero, o nome de Paulo Câmara foi citado várias vezes. Acusado de ficar em cima do muro com relação ao impeachment, o governador foi criticado por ter assinado a “Carta da Legalidade” e ter se posicionado contra a forma como o processo está sendo conduzido. Na semana passada, Paulo garantiu que não apoia o governo, mas reforçou que não existem motivos para o afastamento da petista.

“Traidor” - No ato, por diversas vezes, os manifestantes entoaram gritos de “Paulo Câmara traidor”. O nome do prefeito Geraldo Julio também não foi poupado. Desde que perdeu o seu líder-mor, o PSB procura manter uma posição de “independência”. Mas isso tem um preço.

OPOSIÇÃO - Diversos políticos discursaram em cima do trio, pela primeira vez. Na sua vez, a deputada Priscila Krause (DEM) alfinetou: “os governadores precisam se posicionar e pensar no futuro”.

ALIADO - Até o deputado federal Augusto Coutinho (SD), aliado do governo, partiu para o ataque: “Paulo Câmara disse que não existia motivo para o impeachment. Existe sim. Ele precisa ficar ao lado do povo”.

ENCONTRO - O PSB deverá anunciar sua posição oficial na próxima quinta-feira, quando orientarão os deputados escolhidos para integrar a comissão especial.

UM TERMÔMETRO... - No decorrer deste ano, vários políticos de oposição, como o deputado federal Daniel Coelho (PSDB), garantiam que o apoio da população ao impeachment deveria crescer após a abertura do processo, na Câmara Federal.

...PARA - O engajamento da população é visto como o último ingrediente que falta para que o afastamento da presidente Dilma ganhe impulso. Mas, pela quantidade de pessoas que estiveram no Marco Zero, parece que a única coisa que esquentou mesmo foi o sol. 

...O BRASIL - O clima na Câmara Federal também não ajuda em nada. Após trocarem tapas na semana passada, em razão das manobras de Eduardo Cunha para se livrar de sua cassação, os parlamentares chamaram a atenção da sociedade para si e Dilma conseguiu “respirar”.

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