Luta nos gabinetes é mais importante que nas ruas
KENNEDY ALENCAR
De acordo com dados obtidos na internet até ontem à noite, governo e oposição preveem menos gente nas manifestações de hoje do que nos protestos de 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto.
É provável um protesto em maior número de cidades, devido à expansão de grupos organizados a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas um menor número de pessoas nas ruas, levando em conta o termômetro das redes sociais. Há menos confirmações de presença nos atos, segundo mapeamento do governo federal e dos partidos de oposição.
Em São Paulo, epicentro do antipetismo e maior cidade do país, sempre há um número significativo na avenida Paulista. Portanto, será importante aguardar a movimentação em São Paulo a partir das 13h para fazer um balanço mais acurado do alcance dos protestos de hoje. Também será preciso averiguar o peso dos atos nas principais capitais, como Brasília e Rio, por exemplo.
Os opositores do governo escolheram uma data que, simbolicamente, é triste para o país: 13 de dezembro foi o dia da edição do AI-5 (Ato Institucional Número 5) em 1968, quando a ditadura militar brasileira implantada em 1964 ficou ainda mais brutal e assassina. Essa data cria uma associação dos manifestantes com o golpe militar, o que será usado pelo governo na luta política.
Por falar em luta política, hoje ela está mais concentrada no jogo de poder de Brasília. Ou seja, no atual estágio, a guerra é mais importante nos gabinetes do que nas ruas. A batalha mais feroz neste momento é no Congresso, em especial na Câmara, primeira etapa de um processo de impeachment.
Mas haverá um capítulo importante na próxima quarta, que será a manifestação do STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito do rito do impeachment. É alta a probabilidade de o tribunal deixar claro, a exemplo de 1992, que a palavra final para o afastamento da presidente Dilma Rousseff por 180 dias cabe mesmo ao Senado até que essa Casa faça o julgamento definitivo do impeachment. Apesar da baixa popularidade do governo e das dificuldades no Congresso, a presidente tem mais suporte entre os senadores do que entre os deputados.
O tamanho da intervenção jurídica do STF no processo de impeachment ajudará a medir a chance de sucesso ou fracasso do governo. Mas o mais importante será a luta política na Câmara na busca por votos. Ao fechar posição a favor do impeachment e unificar seu discurso, o PSDB deu aval político a um governo Temer.
Os defensores do impeachment têm procurado as bancadas de partidos que possuem ministérios e cargos no governo, como PR, PP, PTB, Pros e PSD. Os aliados de Dilma vão se concentrar em tentar barrar o racha nessas bancadas.
O ministro André Figueiredo (Comunicações), dirigente do PDT, partido que está fechado com Dilma, disse que foram “uma surpresa negativa” os 199 votos a favor do governo na votação secreta da formação da comissão especial do impeachment.

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