Juiz da VEP pede afastamento de diretora do Talavera Bruce no Rio de Janeiro

Célia Costa
O Globo

O juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP), Eduardo Oberg, determinou o afastamento provisório da diretora do Presídio Talavera Bruce, no complexo de Gericinó, onde, no último dia 11, uma presa deu à luz dentro de uma cela. Como informou o jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, a detenta Bárbara Oliveira de Souza entrou em trabalho de parto e, apesar dos seus pedidos de ajuda e dos gritos de presas vizinhas, acabou tendo uma menina sem qualquer assistência médica, com a ajuda de outra interna. Além do afastamento da diretora Andreia Oliveira, que mentiu durante uma fiscalização, negando o episódio, a medida atinge a subdiretora Ana Paula da Silva Carvalho.

Bárbara estava já com 41 semanas de gestação e poderia dar à luz a qualquer momento. Apesar disso, foi posta, segundo detentas relataram ao juiz Richard Robert Fairclough , da VEP, no isolamento. A Seap negou que a informação e alegou que a presa foi colocada numa unidade individual porque estava muito agressiva. A medida foi tomada, de acordo com o órgão, para segurança da gestante e das demais presas grávidas. Na cela individual, Bárbara começou a pedir ajuda durante a manhã do dia 11, mas só foi socorrida por volta de meio-dia, no horário de visita. Saiu da cela com o bebê no colo e o cordão umbilical ainda dentro do útero. Levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, ela retornou para o Talavera Bruce três dias depois, mas sem o bebê, encaminhado para um abrigo.

DESMENTIDA PELAS PRESAS

Ao voltar para o presídio, a detenta foi posta de novo no isolamento. Segundo Oberg, a direção da unidade alegou que a interna estava “surtada”.

— Se ela estava surtada, era mais um motivo para que não voltasse para o isolamento. Ela deveria ter sido encaminhada para uma unidade hospitalar — disse o magistrado. — Isso é de uma indignidade humana inaceitável e, por conta disso, é cabível o pedido de afastamento provisório da diretoria do presídio, para que se apure tudo o que ocorreu. É um absurdo.

‘Isso é de uma indignidade humana inaceitável. É um absurdo’
- EDUARDO OBERGJuiz titular da Vara de Execuções Penais

Oberg frisou ainda que a diretora prestou uma declaração falsa ao juiz Richard Robert Fairclough, que fiscalizou a unidade após a VEP receber a a denúncia:

— Ela negou a ocorrência do fato, mas foi desmentida pelas presas, que relataram ao juiz Richard tudo que aconteceu no dia do parto.

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