Uma ano de BRT pela metade

Roberta Soares
JC Online

Não foi à toa que recentemente o criador do BRT (Bus Rapid Transit), o curitibano Jaime Lerner, afirmou que o sistema implantado na Região Metropolitana do Recife não é um BRT. Um ano depois de implantado – aniversário comemorado nos meses de junho (Corredor Leste-Oeste) e julho (Corredor Norte–Sul) –, o que temos é um BRT pela metade, que opera incompleto, custa mais caro a cada dia e já se deteriora. É bom, sem dúvida. Representa um salto de qualidade para o transporte convencional, mas a falta de planejamento e o improviso de construção e operação estão manchando o conceito de BRT, comprometendo a eficiência do sistema. Como sempre insistiu Jaime Lerner, BRT não é ônibus. É mais do que isso. É um metrô sobre pneus. Representa a metronização dos coletivos. Se BRT virar ônibus, com todas os obstáculos comuns ao sistema, deixa de ser BRT. É qualquer outra coisa, menos um Bus Rapid Transit.

Nada do que se diz nesta reportagem é novidade para quem gerencia, opera e, principalmente, utiliza o BRT. É uma constatação. “O sentimento é de impotência, de poder fazer mais. A gente tem plena consciência do potencial desse sistema, de quanto ele pode melhorar a vida das pessoas, oferecendo conforto e um trajeto mais eficiente. O BRT não é um ônibus, é uma mudança de conceito, transcende o ônibus. A grande diferença do BRT é a eficiência, a agilidade. A própria sigla já diz: Rapid. E do jeito que está, isso não acontece. Estamos trabalhando com 40%, talvez 50% da capacidade de proporcionar à população, aos nossos clientes, um desempenho elevado”, lamenta Djalma Dutra, diretor de novos negócios da Mobibrasil, consórcio que opera o Corredor Leste–Oeste, eixo do BRT que encontra-se incompleto e com as obras paralisadas desde novembro de 2014.

Os efeitos do atraso são sentidos, ainda mais, pelos passageiros. “Utilizo o BRT Leste–Oeste todos os dias. Tenho a opção do metrô, mas prefiro ele. Só que está andando muito cheio, principalmente à noite. A lotação atrapalha a eficiência do ar-condicionado e a falta de prioridade na via em alguns trechos incomoda. O BRT não deveria estar no meio dos carros, brigando por espaço. Mas, mesmo com problemas, é muito melhor do que os ônibus comuns. Espero que cumpram com o prometido logo”, afirma o promotor de vendas Carlos Henrique Serafim, 25 anos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPERAÇÃO UNBLOCK

Nota de Esclarecimento

Nota à Imprensa