Crise afeta serviços de saúde no Estado
Pacientes aguardam no corredor do Hospital Getúlio Vargas
Diego Nigro/JC Imagem
JC Online
O enxugamento de gastos do governo estadual, na esteira da crise econômica que sacode o País, chegou ao bem mais valioso da população: a saúde. Em algumas das maiores unidades hospitalares do Estado, faltam medicamentos e até utensílios para procedimentos simples. Funcionários com salários atrasados, cirurgias desmarcadas e falta de estrutura para pacientes e acompanhantes completam o quadro desanimador da saúde pública em Pernambuco. Na próxima terça-feira (18), está programada uma paralisação de duas horas dos funcionários não-efetivos do Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central da cidade, em protesto contra os três meses de salários atrasados. Outras são esperadas em diversas unidades do Sistema Único de Saúde para as próximas semanas.
No Hospital Getúlio Vargas, bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, são cerca de 40 cirurgias eletivas canceladas todos os dias por falta de materiais como gaze e compressas. “Trabalho aqui há 40 anos e confesso que nunca vi o hospital nessa situação”, conta um enfermeiro, que não quer se identificar, referindo-se ao corte de recursos. “E os gestores ainda aparecem por aqui para pedir economia. É inacreditável”.
A reclamação encontra coro nos acompanhantes dos pacientes. “Estive aqui com minha mãe há seis anos, e o hospital era show de bola. Hoje, está jogado às baratas”, conta um técnico em refrigeração que também prefere o anonimato. Ele está há dois meses com a mãe internada para uma cirurgia no joelho que nunca acontece. “Está programada para amanhã (hoje). Mas já houve tantos cancelamentos que eu não me espantaria se acontecesse outro”.

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