Após denúncia, Ministério Público de Pernambuco investigará praia Del Chifre, em Olinda

Priscilla Costa
Folha-PE

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) vai instaurar procedimento administrativo a fim de investigar o critério utilizado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) para não monitorar a praia Del Chifre, em Olinda. A decisão foi tomada após a Folha de Pernambuco denunciar, na edição dessa quarta-feira (12), a sujeira que impera no local. 

Desde 1974, a companhia realiza estudos semanais que analisam a qualidade da água das praias de Pernambuco, porém, nessa lista, Del Chifre fica de fora “por não ser ponto de concentração urbana”, segundo a CPRH. A situação por lá se agrava devido às condições de impureza dos rios Capibaribe e Beberibe, que passam pelo Porto do Recife e desaguam nas águas de Del Chifre.

A Folha enviou os registros feitos pelo fotógrafo Arthur Mota à promotora de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Olinda, Belize Câmara. Pelas características, ela acredita que a limpeza não é feita com frequência pela gestão municipal, apesar de a Prefeitura de Olinda afirmar que a varrição é feita, pelo menos, duas vezes por semana. “Mas, não posso antecipar nenhuma opinião sem ouvir, primeiramente, sobre a coleta feita pela prefeitura. Pela situação, parece que a praia não é limpa com frequência, mas vamos ouvir o lado da gestão municipal. Já a CPRH, preciso analisar se eles se baseiam em alguma legislação ou portaria que os faça desconsiderar Del Chifre como ponto de monitoramento”, explicou.

A promotora também afirmou que vai fazer um levantamento dos procedimentos que ainda não foram despachados pela promotoria para averiguar se há alguma denúncia em relação à praia. A CPRH e a Prefeitura de Olinda afirmaram que só irão se manifestar sobre o assunto após receber comunicado oficial da promotoria. Enquanto isso, especialistas na área de saúde acendem o alerta para o risco de sérias infecções com contato direto dos banhistas com a areia e o mar. “O lixo atrai vetores de doenças, como ratos e baratas. As próprias bactérias se proliferam na areia e em contato com a pele podem causar sérias lesões”, alertou o infectologista Moacir Jucá.

Segundo ele, as pessoas devem ficar atentas, caso tenham alguma expressão clínica das contaminações. “Em relação à pele, se tem alguma coceira ou lesão vermelha que está se espalhando. E, obviamente, se tem sintomas sistêmicos, como diarreia e vômito”, reforçou.

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