A tristeza do assum preto, segundo Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Tribuna da Imprensa

O sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, compôs em parceria com o advogado, compositor e poeta cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1915-1979) o baião “Assum Preto” cuja letra se inicia descrevendo, de forma plástica, o cenário: a beleza de uma paisagem bucólica, comum no sertão após as chuvas.

Segundo Ibrantina Guedes Lopes, licenciada em Letras e Música e membro da Associação Brasileira de Educação Musical, esse fato traz alegria, esperança para o sertanejo. No entanto, a beleza do sol de abril e das flores não pode ser apreciada pelo assum preto, e a letra termina com uma comparação e identificação entre o canto do pássaro e o do “eu lírico”. Os dois têm em comum a tristeza. O pássaro não vê em redor. Metaforicamente, o “eu lírico” diz que também é cego, pois roubaram a amada que era a luz dos seus olhos, ou seja, a razão de sua existência. O baião Assum Preto foi gravada, primeiramente, por Luiz Gonzaga, em 1950, pela RCA Victor.

ASSUM PRETO

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Tudo em volta é só beleza
 Sol de Abril e a mata em flor
 Mas Assum Preto, cego dos olhos
 Não vendo a luz, ai, canta de dor…
 Tarvez por ignorancia
 Ou maldade das piores
 Furaro os olhos do Assum Preto
 Pra ele assim, ai, cantar melhor…
 Assum Preto vive solto
 Mas não pode voar
 Mil vezes a sina de uma gaiola
 Desde que o céu, ai, pudesse olhar…
 Assum Preto, o meu cantar
 É tão triste como o teu
 Também roubaram o meu amor
 Que era a luz, ai, dos olhos meus.

               (Colaboração enviada por Paulo Peres -  site Poemas & Canções)

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