O papel das ouvidorias públicas e sua sistematização
Paulo Guimarães Filho
Acerto de Contas
Todo mundo já ouviu falar de
Ouvidoria. São órgãos, presentes tanto na esfera privada quanto na pública, que
tem funções relacionadas à interlocução com o público. Na esfera privada me
parece já haver maturidade suficiente para definir um papel especial à
Ouvidoria: o tratamento, em segundo nível, das questões trazidas pelos
clientes. Claro que essa é uma definição simplista e pouco técnica, mas serve
para ilustrar o estágio mais maduro das ouvidorias das grandes empresas.
Quando passamos às
Ouvidorias Públicas, o quadro ainda é de indefinição. Quase tudo está em
discussão. O conceito de ouvidoria, suas atribuições básicas, a estrutura
hierárquica adequada, as competências desejáveis aos ouvidores, tudo merece ser
estudado, aprofundado e debatido. Não enxergo a discussão vigente como algo
ruim. É certo que os conceitos precisam ser definidos o mais rápido possível
para que se dê a importância devida às ouvidorias e à interação com o cidadão,
mas, por outro lado, eu e você temos a chance de participar desse processo.
No Poder Executivo Federal
hoje há mais de 200 ouvidorias, espalhadas pelos ministérios, departamentos,
secretarias, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia
mista. Algumas são fortes, bem estabelecidas, com equipes competentes e
bastante estruturadas. Outras se resumem à atuação de um gestor que, entre
outras coisas, exerce o papel de ouvidor. Algumas conseguiram recursos para, ao
longo do tempo, desenvolver sistemas informatizados eficientes, e outras
acompanham as manifestações dos cidadãos manualmente.
Uma coisa garanto a você: há
pessoas esforçadas, tentando agir para transformar as Ouvidorias Públicas em
verdadeiros instrumentos de promoção dos Direitos Humanos. Esse papel inclui a
mediação administrativa, por meio da qual o ouvidor tenta, de forma sincera e
honesta, compreender a necessidade do cidadão, e demonstrá-la ao gestor, a fim
de chegar a uma solução para os impasses. As Ouvidorias Públicas devem ser
espaços plurais, instrumentos de participação social e de gestão. Quem ouve o
cidadão, além de solucionar as questões trazidas por ele, pode mostrar ao
governante onde estão os erros e o que precisa ser melhorado.
Quero convidar você a
participar da edição de um Decreto Presidencial, que criará e regulamentará o
Sistema Federal de Ouvidorias Públicas (SiOuv). Foi lançada no dia 16/5 uma
Consulta Pública, por iniciativa da Controladoria-Geral da União, e o texto da
minuta de Decreto está lá disponível, para qualquer pessoa comentar, sugerir
melhorias, fazer indagações e manifestar seu pensamento. Repito! Qualquer
pessoa pode se manifestar!
A criação do Sistema Federal
de Ouvidorias Públicas pode ser importante na promoção da cidadania, e você
pode agir para isso. As instruções estão disponíveis no
http://www.cgu.gov.br/Imprensa/Noticias/2013/noticia05713.asp. Basta entrar no
site da Consulta Pública, fazer um cadastro simples e dar sua contribuição no
texto da norma ou nos temas gerais.
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Paulo Guimarães Filho é
Analista de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União, atualmente
lotado na Ouvidoria-Geral da União

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