Na Argentina, uma onda de saques intensifica a disputa entre governo de Cristina e sindicalistas


Iniciada na periferia de Bariloche há dois dias, uma onda de saques alastrou-se para outras duas cidades da Argentina: Santa Fé e San Fernando, esta última na província de Buenos Aires. Num intervalo de 48 horas –entre quinta e sexta-feira— registraram-se duas mortes. Cerca de cem pessoas ficaram feridas. Os principais alvos são os supermercados. Os saqueadores levam comida, mas carregam também toda sorte de produtos –de brinquedos a televisores e eletrodomésticos. Acionada, a polícia é recebida a paus e pedras.

Governo e sindicalistas acusam-se mutuamente pela desordem. Chefe da Casa Civil da presidente Cristina Kirchner, Abal Medina declarou que o pedaço do sindicalismo que se opõe ao governo de sua chefe está “por trás” dos saques. Mencionou três categorias: caminhoneiros, trabalhadores de bares e restaurants e professores.

Líder dos sindicatos de caminhoneiros, o presidente da Central Geral dos Trabalhadores, Hugo Moyano, desdisse o assessor de Cristina. Os saques “podem ter sido organizados pelo próprio poder”, declarou ele. Não há política por trás das ações, acrescentou Moyano. O problema é que “muita gente está passando por dificuldades” econômicas.

A encrenca iça 2001 ao topo da memória dos argentinos. Naquele ano, uma onda de saques levou 38 pessoas à sepultura, submeteu o país ao estado de sírio e escancarou a ruína do governo do então presidente Fernando de la Rúa. Sob Cristina, a Argentina arrostou no ano passado 24% de inflação com crescimento de 8%. Chega ao Natal de 2012 com a mesma taxa inflacionária, mas com o crescimento econômico na casa de 1%.

Contra esse pano de fundo inflamado, Cristina Kirchner risca dois fósforos: com um, mantém acesa a guerra judicial do governo contra o grupo de mídia Clarin, o mais influente da Argentina. Com outro, liga as fornalhas de uma articulação que visa alterar a Constituição para abrir caminho para mais um mandato presidencial.

Josias de Souza

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