Como Funciona o Serviço Secreto Brasileiro
Istoé


Em meados de julho, no auge da greve dos servidores públicos
federais, a presidenta Dilma Rousseff recebeu das mãos do ministro-chefe
do Gabinete de Segurança Institucional, general Elito Siqueira, uma
pasta de papel pardo com tarja vermelha onde se lia “urgente”. Dentro
dela, um relatório sintético elaborado por espiões infiltrados nos
movimentos grevistas traçava uma análise da situação no País e
antecipava a tendência de enfraquecimento da greve. Depois da leitura do
informe, Dilma pegou o telefone e avisou aos ministros Guido Mantega
(Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) que o governo não cederia aos
protestos. O episódio, mantido em sigilo até agora, dá pistas de como
funciona hoje o serviço secreto brasileiro. O relatório que fundamentou a
decisão de Dilma foi elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência
(Abin). A informação que chegou à presidenta foi precisa porque havia
agentes da Abin infiltrados no movimento grevista. Entre as classes que
espalharam o caos naqueles meses, curiosamente estavam entidades
sindicais da própria agência de inteligência, cujos agentes se
aproveitaram da circunstância para participar de assembleias e reuniões
sem levantar suspeitas.
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