Bispo Best-Seller
Mário Simas Filho
Com a publicação de sua autobiografia, Macedo provavelmente provocará
algumas polêmicas. Ele afirma, por exemplo, que “a sina da Universal é
barrar a Igreja Católica”. O bispo conta que ainda jovem ocupava um
emprego público na Loteria do Rio de Janeiro, obtido com o auxílio do
ex-governador Carlos Lacerda, com quem a família tinha alguma
proximidade. Era uma mistura de contínuo com auxiliar de escritório, que
determinado dia, levando ao pé da letra uma ordem interna, impediu a
entrada de um monsenhor, enviado pelo arcebispo para recolher dinheiro
que na época algumas sociedades católicas recebiam das loterias. “Eu
barrei a Igreja Católica naquele dia”, diz Macedo. “E, simbolicamente,
seria um prenúncio do que se tornaria a sina da Igreja Universal ao
longo dos anos.”
No livro, o bispo detalha os questionamentos sobre si mesmo desde a
infância até a vida adulta. “Nada a Perder”, no entanto, é mais do que
uma leitura sobre o interior de Edir Macedo. Ele não poupa as demais
religiões, inclusive evangélicas, e dispara forte contra os católicos,
cujos líderes são apontados como os principais responsáveis por seus
infortúnios. No capítulo em que narra os 11 dias em que passou na prisão
acusado de charlatanismo, curandeirismo e estelionato, em 1992, Macedo
assegura ter sido alvo de perseguição do “Clero Romano”. “Eram políticos
de prestígio, empresários da elite econômica e social, intelectuais,
juízes, desembargadores e outras autoridades do Poder Judiciário que
tomavam decisões sob a influência do alto comando católico.”

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