PT e PSDB Perderam, Cada, Mais de 700 mil Votos em São Paulo

O Globo

SÃO PAULO — O candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) perdeu quase um terço dos votos que obteve na capital paulista no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010. Na ocasião, o tucano disputou contra mais de um candidato competitivo, a exemplo deste ano. De dois anos para cá, o político ficou sem 792,4 mil votos, apesar do crescimento do número de eleitores no município (136 mil novos votantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral).
Fernando Hadddad (PT) também não conseguiu repetir o desempenho de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010 e teve na cidade 756 mil votos a menos do que a petista, mesmo sendo paulistano. As trajetórias de Haddad e Dilma têm pontos em comum: eram ex-ministros desconhecidos da maior parte do eleitorado até que tivessem suas candidaturas lançadas por Lula, que se transformou no principal cabo eleitoral de ambos.

O mapa da votação para prefeito de São Paulo mostra que se mantém a divisão tradicional do eleitorado paulistano: Serra ganhou na região do Centro expandido, onde há maior concentração de renda e de eleitores mais conservadores; Haddad abocanhou a periferia, em especial os extremos Sul e Leste de São Paulo.
Serra perdeu eleitores em todas as 58 zonas eleitorais da cidade na comparação com 2010. A queda mais forte, superior a um terço do eleitorado, ocorreu em 37 zonas, das quais 25 estão localizadas em áreas onde Haddad obteve mais votos, nas regiões Sul e Leste da cidade. Mesmo vencendo Haddad na região Norte, Serra amargou queda de mais de um terço de seu eleitorado em 12 zonas eleitorais desta área. O desempenho do candidato no Centro expandido foi o menos afetado.
— Há muitos anos não havia uma eleição com quatro candidatos chegando fortes, como ocorreu agora com os candidatos do PSDB, do PT, Celso Russomanno (PRB) e Chalita (PMDB). Mas, no caso do Serra, a rejeição de 45% coloca limites ao seu crescimento. Não consegue vencer se não reduzi-la — afirma o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da Fundação Getúlio Vargas, citando a principal dificuldade do tucano neste segundo turno.
Couto acredita que comparar o desempenho de Serra neste ano com o obtido em 2004 — quando foi candidato a prefeito e venceu no segundo turno — seria mais interessante do ponto de vista de análise, por se tratar do mesmo tipo de eleição. No entanto, naquele ano Serra obteve apenas 9 mil votos a mais do que em 2010, o que confirma a sua queda em relação a performances anteriores.
Neste ano, Haddad obteve votação semelhante à de Dilma em apenas três zonas eleitorais, todas localizadas na área do Centro expandido de São Paulo: Jardim Paulista, Vila Mariana e Perdizes. Em todas as outras, o petista teve menos votos que Dilma. Em 22 das 58 zonas eleitorais paulistanas, a queda foi de mais de um terço do eleitorado. Elas formam um cinturão localizado bem na divisão entre os extremos da periferia e a região do Centro expandido. O desempenho do candidato foi menos afetado nos bairros mais distantes de São Paulo, como Parelheiros, Piraporinha e Valo Velho (extremo Sul), São Mateus, Cidade Tiradentes e Guaianases (extremo Leste), e Perus (extremo Norte).
Couto destaca que a votação do PT tem oscilado bastante em São Paulo, evidente tanto nas vitórias quanto nas derrotas da senadora Marta Suplicy na cidade, por exemplo.
— Foi um ano em que vários fatores dificultaram o crescimento do partido, como o mensalão, a dificuldade do Lula fazer campanha por questão de saúde, a foto com o Paulo Maluf, a renúncia da Luiza Erundina (PSB) no lugar de vice e a mão muito pesada do marqueteiro, que deixou o candidato excessivamente artificial — avalia o cientista político.
A polarização do eleitorado na cidade é observada há pelo menos quatro eleições, e se repetiu neste ano em praticamente todas as áreas de São Paulo. A única exceção foi a zona eleitoral da Ponte Rasa, na Zona Leste de São Paulo. Lá, Serra, Haddad e Russomanno empataram e obtiveram cerca de 23 mil votos cada.

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