Partido dos Trabalhadores: Regras do PED Dificultam Articulações

Carol Brito
Folha-PE
Na última semana para o fim do prazo de filiações partidárias visando ao Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores (PT), forças internas da legenda mantêm as articulações com o intuito de registrar o maior número de votantes para mostrar fôlego no pleito previsto para o dia 10 de novembro do próximo ano. A movimentação para filiar militantes é praxe, mas novas regras prevêm dificuldades para as articulações futuras das lideranças partidárias.
Os filiados que se registrarão, até o próximo dia 30 de outubro, terão que obrigatoriamente participar de uma plenária de formação política promovida pela sigla para estarem aptos a votar. Outra mudança é que os novatos terão também que quitar a contribuição partidária três meses antes da votação. As regras foram definidas no último Congresso Nacional do PT, realizado em Brasília, em 2011.
Até o último processo de eleições diretas, as forças políticas filiavam novos membros em massa e tinham o trabalho apenas de levar os militantes para votar no dia da eleição. Além disso, a dívida partidária podia ser quitada até no mesmo dia do pleito. Com as novas regras, o processo tenderá a ser mais filtrado e dar trabalho aos grupos do partido. Eles terão também que incentivar os novos eleitores a participar das plenárias. Já a redução do prazo para quitar as dívidas também acaba forçando as correntes internas da legenda a fechar mais cedo o posicionamento das chapas no pleito.
Com o fim do prazo da filiação partidária, as executivas municipais ou comissões provisórias têm até o dia 9 de novembro para aprovar os pedidos de filiação. Atualmente, o PT possui cerca de 36 mil filiados no Recife e 95 mil em Pernambuco. A meta da direção do partido é que em cada município a legenda consiga filiar pelo menos 5% do eleitorado local. Nos bastidores, há a expectativa de que o número de filiações seja bastante alto, chegando a dez mil na Capital pernambucana e 25 mil no Estado.
Após o último pleito e a perda da Prefeitura do Recife, o quadro de divisão interna da sigla permanece embaralhado. A situação da Construindo um Novo Brasil (CNB), corrente majoritária da sigla, ainda permanece indefinida. Internamente, o grupo está esfacelado podendo surgir novas chapas dentro da sigla. O grupo do secretário estadual de Transportes, Isaltino Nascimento (PT), anda afastado do grupo do senador Humberto Costa (PT). Outra possível fragmentação é a da deputada estadual Tereza Leitão (PT) e do ex-presidente estadual da sigla, Jorge Perez (PT), que lideram uma corrente dissidente na CNB. O deputado estadual Sérgio Leite (PT) também poderia liderar outra dissidência, já que há rumores de insatisfação com o suporte do partido à sua candidatura à Prefeitura de Paulista.
O prefeito João da Costa (PT) mostrou força na última prévia partidária, realizada em maio, conquistando o apoio de 12 correntes partidárias. Contudo, isso não significa que os grupos estarão com o gestor durante o PED. Já o deputado federal João Paulo (PT) teve seu poder de influência interna na sigla reduzido nos últimos anos.
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