Debate Equilibrado Favorece Líder nas Pesquisas
Josias de Souza
O debate SBT/UOL entre Fernando Haddad e José Serra foi marcado pelo equilíbrio. Algo que tende a favorecer o petista, que lidera as pesquisas. No instante em que os candidatos trançavam argumentos no estúdio, os institutos trouxeram à luz novas sondagens. No Datafolha, Haddad aparece 15 pontos percentuais à frente de Serra. No Ibope, a vantagem é de 13 pontos.
A quatro dias da eleição, Serra parece depender de um nocaute para reposicionar-se no ringue. E ninguém saiu do debate com o olho roxo. Igualados, os candidatos produziram um embate que favorece a consolidação do quadro esboçado nas sondagens de intenção de voto.
O telespectador e o internauta que já nutriam simpatias por Haddad não encontraram no desempenho do candidato nada que justifique uma mudança de voto. O mesmo raciocínio vale para o eleitor que já optou por Serra. Com uma diferença: em desvantagem, o tucano precisava de algo mais.
Na conta em que são considerados apenas os votos válidos (sem os brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos), Haddad prevalece no Datafolha por 60% a 40% –diferença de 20 pontos. No Ibope, o placar é de 57% a 43% –distância de 14 pontos.
Num cenário assim, tão adverso, Serra busca avidamente os votos dos indecisos. E esse pedaço desse eleitorado que ainda observa a disputa de cima do muro não encontrou no debate nenhum elemento de sedução capaz de virar-lhe a cabeça. Tanto pode se decidir por Serra quanto pode fechar com Haddad. A indiferenciação, de novo, desfavorece quem está atrás.
Como se fosse pouco, Serra enfrenta uma dificuldade adicional. O Datafolha revela que, à beira da urna, sua taxa de rejeição é de notáveis 42%. Gente que declara que não votaria nele de jeito nenhum. Refugam Haddad 25%. Novamente: como ninguém saiu do debate estirado numa maca, a tendência é de manutenção das antipatias.

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