Som de Olinda que Veio Pra Picar

Foto:Tiago Calazans/Divulgação
Rodrigo Almeida

Folha-PE

Mesmo com as igrejas sendo as grandes vedetes, o palco montado na Praça do Carmo costuma ser um dos espaços mais desejados pelas bandas, duos e artistas da Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO.) Especialmente no encerramento da noite de hoje, a partir das 22h, pois a atração assume a responsabilidade de tocar para o maior público de todo evento. Nesta edição, a escolhida foi a Orquestra Contemporânea de Olinda, que em sua segunda participação no evento aproveitará para lançar seu segundo disco, “Pra ficar”. “Esse disco começou a ser concebido há um ano, enquanto estávamos viajando por vários lugares. Quando voltamos, fizemos alguns ensaios pensando em músicas, algumas já trouxemos prontas. Nosso processo envolve todo mundo, é realmente uma composição coletiva. Vamos gravando, concordando e no fim entregamos para Ivan que faz os arranjos para metais”, comentou Gilú Amaral, integrante e idealizador da Orquestra. O novo disco, que é inteiramente autoral, está disponível para download no site www.orquestraolinda.com.br, no qual a banda basicamente troca as doze composições por uma postagem no Twitter ou no Facebook.

Segundo Gilú, “a internet é um mecanismo ao nosso favor, por isso pensamos em usar da melhor forma. Disponibilizamos como estratégia, porque não ganhamos dinheiro com venda de discos, mas nos tornando mais conhecidos, conquistando respeito e cachês mais altos, vendendo diretamente nossos produtos nos shows, estabelecendo um contato direto com nossos fãs”. Em pouco mais de um mês, o disco já foi baixado mais de sete mil vezes, criando repercussão sobre algumas músicas como “Mar Azul”, “Boneco Gigante” e “O Suor da Cidade”. Provável que parte da plateia já esteja afinada hoje à noite.

A produção contou com participação do norte-americano Arto Lindsay, que apesar de não ter tocado em “Pra Ficar” irá participar da apresentação na Praça do Carmo. A presença do experiente profissional, que já trabalhou com Marisa Monte e Caetano Veloso, deu maior maturidade à sonoridade final do disco. “Esse trabalho tem mais cara de disco enquanto conceito coletivo, porque o primeiro álbum tinha um princípio de “álbum de trabalho” de uma banda que estava começando na estrada e precisava mostrar um material. Ele nos acompanhou por alguns dias na Fábrica Estúdios e foi fundamental para o resultado final”, analisa Gilú.

A Orquestra Contemporânea de Olinda é atualmente uma forte representante da diversidade sonora de Pernambuco, apostando, através da estrutura de big band, numa mistura de ritmos, algumas vezes nascidos no Estado, mas sempre misturados aos que despontaram em outros continentes. A iniciativa está bastante conectada com o cotidiano olindense, pensando na cidade tanto por meio do cosmopolitismo, como por seu lado histórico, boêmio e musical. O disco de estreia da Orquestra foi lançado em 2008 e chegou a ser indicado aos prêmios da Música Brasileira e ao Grammy Latino.

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