Djavan Lança Novo Disco, Rua dos Amores
Diário de Pernambuco
É para frente que se anda. E Rua dos amores, 21º álbum de Djavan, busca reafirmar isso. Primeiro disco de inéditas desde Matizes (2007), apresenta 13 canções típicas do cantor e compositor alagoano. Aos 63 anos, ele versa sobre o amor de diferentes maneiras – em ritmo de samba em Acerto de contas; cantando no feminino em Ares sutis; ou no formato de balada, em Bangalô. Não foi nada intencional, garante. Mas ao ver o resultado, criou um ponto dissonante, Pode esquecer, com veia política.
Disco que marca o reencontro de Djavan com a mesma banda que o acompanhou na época do álbum duplo Ao vivo (1999), um de seus maiores sucessos comerciais, leva a mão dele em absolutamente tudo. Djavan é autor de todas as canções (a única já conhecida é Vive, que ele compôs para Maria Bethânia, que a lançou no primeiro semestre), que gravou, arranjou e produziu. Depois do trabalho com a baiana e a produção de Não tente compreender, disco de Mart’nália lançado há alguns meses, ele se dedicou ao seu próprio.
Teve certo medo, admite, de não conseguir voltar a compor, dado o período que se dedicou ao projeto de regravações Ária. Mas, uma vez de volta à rotina, como Djavan considera seu papel de compositor, criou as 12 inéditas do álbum, a maior parte delas ao lado da banda capitaneada por Torcuato Mariano (guitarra), Paulo Calasans (teclados) e Carlos Bala (bateria).
Na segunda-feira, volta a se encontrar com os músicos para começar os ensaios da nova turnê, que estreia em novembro. “Consegui fazer um disco 30 e tantos anos depois de ter começado a carreira em que gostei muito do resultado. Ninguém tem uma crítica mais ferrenha do que a minha, porque só eu sei como gosto de me ouvir soar. Se gosto do resultado da minha produção neste momento, isso vai segurar a minha onda daqui para a frente”, diz Djavan em entrevista ao Estado de Minas, na sede da Universal Music. Confira trechos:
FAZ-TUDO
“Preciso ter na mão as funções nervosas do disco. Na mixagem, o produtor leva o disco para onde quiser, independentemente do que foi gravado. Com os arranjos, do mesmo modo. Por ter sofrido coisas do tipo – dar uma música para um arranjador amigo, que fazia algo lindo, mas que não tinha nada a ver – e gravar por causa do constrangimento, comecei a fazer tudo. Às vezes, até misturo uma frase de arranjo com uma frase melódica. Ficou muito mais fácil, não só para me revelar musicalmente, para mostrar a minha música, como do ponto de vista do estresse. Por isso componho, toco, canto, produzo, arranjo. É óbvio que esse disco, produzido e arranjado por outro, seria bom também. Mas não sei se seria o disco que eu queria fazer.”
SAUDADES
“Quando estava fazendo a turnê do Ária, tocou no rádio Boa noite (do álbum Ao vivo, de 1999). E não escuto meus discos nunca. Esse ficou pronto agora, vou escutar bastante por conta dos ensaios. Depois, não, a fila anda... tenho que me preocupar com o futuro. Pois ouvi Boa noite e achei aquilo tão lindo, com uma execução tão primorosa, que me deu saudade. Fiquei com isso na cabeça, até levar a turnê para São Paulo. Paulo Calasans, tecladista daquele disco, me visitou depois no camarim. Olhei para ele: ‘Paulinho, saudades’. Ele: ‘Também chefe.’ Liguei para o Carlos Bala (baterista de Maceió) e marquei com os dois um encontro em casa. Quando soltei a ideia, comecei a chamar os outros.”
TONS AGUDOS
“Minha maneira de cantar mudou à medida que você adquire mais experiência e, consequentemente, vai apurando a técnica. Cantar é técnica e quanto mais você tem, mais pode moldar a voz do jeito que quiser. Adquiri técnica para cantar há muito tempo, então, minha voz tá intacta. De modo geral, os cantores vão ficando mais velhos e a voz vai ficando mais grave. A minha está mais aguda, estou conseguindo emitir agudos tão altos quanto sempre. Isso simboliza a saúde da voz aliada à técnica. Devo muito disso ao período de crooner. Trabalhei um tempo com a banda do Osmar Milito aqui no Rio, primeiro na boate Number One, depois na 706. Cantava muito samba-enredo porque ele adorava me ver cantar nos tons mais altos, era um terror. Tive que desenvolver uma técnica para proteger a minha voz daqueles tons absurdos, senão a teria perdido.”
INADEQUAÇÃO Fiz uma música para o Michael Jackson quando ele estava gravando Bad (1987). O Quincy (Jones, produtor do álbum) me pediu uma canção, porque na época a editora dele é que administrava a minha obra nos EUA. Mandei uma música completamente inadequada para o Michael Jackson. É até muito legal, tenho ela gravada só com voz e violão. Assim como quando o Paulinho da Viola me pediu uma música, e fiz para ele Nobreza. Paulinho jamais iria gravar Nobreza. Esse tipo de coisa não faço mais, você tem que ver para quem está mandando.”
É para frente que se anda. E Rua dos amores, 21º álbum de Djavan, busca reafirmar isso. Primeiro disco de inéditas desde Matizes (2007), apresenta 13 canções típicas do cantor e compositor alagoano. Aos 63 anos, ele versa sobre o amor de diferentes maneiras – em ritmo de samba em Acerto de contas; cantando no feminino em Ares sutis; ou no formato de balada, em Bangalô. Não foi nada intencional, garante. Mas ao ver o resultado, criou um ponto dissonante, Pode esquecer, com veia política.
Disco que marca o reencontro de Djavan com a mesma banda que o acompanhou na época do álbum duplo Ao vivo (1999), um de seus maiores sucessos comerciais, leva a mão dele em absolutamente tudo. Djavan é autor de todas as canções (a única já conhecida é Vive, que ele compôs para Maria Bethânia, que a lançou no primeiro semestre), que gravou, arranjou e produziu. Depois do trabalho com a baiana e a produção de Não tente compreender, disco de Mart’nália lançado há alguns meses, ele se dedicou ao seu próprio.
Teve certo medo, admite, de não conseguir voltar a compor, dado o período que se dedicou ao projeto de regravações Ária. Mas, uma vez de volta à rotina, como Djavan considera seu papel de compositor, criou as 12 inéditas do álbum, a maior parte delas ao lado da banda capitaneada por Torcuato Mariano (guitarra), Paulo Calasans (teclados) e Carlos Bala (bateria).
Na segunda-feira, volta a se encontrar com os músicos para começar os ensaios da nova turnê, que estreia em novembro. “Consegui fazer um disco 30 e tantos anos depois de ter começado a carreira em que gostei muito do resultado. Ninguém tem uma crítica mais ferrenha do que a minha, porque só eu sei como gosto de me ouvir soar. Se gosto do resultado da minha produção neste momento, isso vai segurar a minha onda daqui para a frente”, diz Djavan em entrevista ao Estado de Minas, na sede da Universal Music. Confira trechos:
FAZ-TUDO
“Preciso ter na mão as funções nervosas do disco. Na mixagem, o produtor leva o disco para onde quiser, independentemente do que foi gravado. Com os arranjos, do mesmo modo. Por ter sofrido coisas do tipo – dar uma música para um arranjador amigo, que fazia algo lindo, mas que não tinha nada a ver – e gravar por causa do constrangimento, comecei a fazer tudo. Às vezes, até misturo uma frase de arranjo com uma frase melódica. Ficou muito mais fácil, não só para me revelar musicalmente, para mostrar a minha música, como do ponto de vista do estresse. Por isso componho, toco, canto, produzo, arranjo. É óbvio que esse disco, produzido e arranjado por outro, seria bom também. Mas não sei se seria o disco que eu queria fazer.”
SAUDADES
“Quando estava fazendo a turnê do Ária, tocou no rádio Boa noite (do álbum Ao vivo, de 1999). E não escuto meus discos nunca. Esse ficou pronto agora, vou escutar bastante por conta dos ensaios. Depois, não, a fila anda... tenho que me preocupar com o futuro. Pois ouvi Boa noite e achei aquilo tão lindo, com uma execução tão primorosa, que me deu saudade. Fiquei com isso na cabeça, até levar a turnê para São Paulo. Paulo Calasans, tecladista daquele disco, me visitou depois no camarim. Olhei para ele: ‘Paulinho, saudades’. Ele: ‘Também chefe.’ Liguei para o Carlos Bala (baterista de Maceió) e marquei com os dois um encontro em casa. Quando soltei a ideia, comecei a chamar os outros.”
TONS AGUDOS
“Minha maneira de cantar mudou à medida que você adquire mais experiência e, consequentemente, vai apurando a técnica. Cantar é técnica e quanto mais você tem, mais pode moldar a voz do jeito que quiser. Adquiri técnica para cantar há muito tempo, então, minha voz tá intacta. De modo geral, os cantores vão ficando mais velhos e a voz vai ficando mais grave. A minha está mais aguda, estou conseguindo emitir agudos tão altos quanto sempre. Isso simboliza a saúde da voz aliada à técnica. Devo muito disso ao período de crooner. Trabalhei um tempo com a banda do Osmar Milito aqui no Rio, primeiro na boate Number One, depois na 706. Cantava muito samba-enredo porque ele adorava me ver cantar nos tons mais altos, era um terror. Tive que desenvolver uma técnica para proteger a minha voz daqueles tons absurdos, senão a teria perdido.”
INADEQUAÇÃO Fiz uma música para o Michael Jackson quando ele estava gravando Bad (1987). O Quincy (Jones, produtor do álbum) me pediu uma canção, porque na época a editora dele é que administrava a minha obra nos EUA. Mandei uma música completamente inadequada para o Michael Jackson. É até muito legal, tenho ela gravada só com voz e violão. Assim como quando o Paulinho da Viola me pediu uma música, e fiz para ele Nobreza. Paulinho jamais iria gravar Nobreza. Esse tipo de coisa não faço mais, você tem que ver para quem está mandando.”

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