Desigualdades Regionais no Acesso ao Cinema

Foto:Cristiana Dias/Arquivo Folha

Folha-PE

Manoel Rangel diz que cabe ao Estado criar condições para manter salas BRASÍLIA (ABr) - O poeta irlandês Oscar Wilde escreveu que “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. A célebre frase não deve valer para o cinema brasileiro. Por aqui, a fruição da sétima arte é que imita a vida. A distribuição de salas de cinemas no Brasil e o acesso da população reproduzem a concentração socioeconômica e a desigualdade regional do País, conforme dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine). De cada dez salas de cinema no Brasil, sete estão localizadas em cin­co estados do Sudeste e do Sul (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná). Mais da metade está nos estados do Rio e de São Paulo.

BRASÍLIA (ABr) - O poeta irlandês Oscar Wilde escreveu que “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. A célebre frase não deve valer para o cinema brasileiro. Por aqui, a fruição da sétima arte é que imita a vida. A distribuição de salas de cinemas no Brasil e o acesso da população reproduzem a concentração socioeconômica e a desigualdade regional do País, conforme dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine). De cada dez salas de cinema no Brasil, sete estão localizadas em cin­co estados do Sudeste e do Sul (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná). Mais da metade está nos estados do Rio e de São Paulo.

Seis de cada dez salas estão localizadas em 38 municípios com mais de 500 mil habitantes, o que corresponde 0,68% dos 5.565 municípios brasileiros. A concentração de salas de cinema é maior do que a da população. Há 101,1 milhões de pessoas nessas cidades, equivalente a 53% dos mais de 190 milhões de habitantes contados pelo Censo Populacional 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, reconhece a concentração, mas pondera. “É preciso pensar na realidade do que são os municípios”, afirma. Segundo ele, cerca de quatro mil municípios têm me­nos de 20 mil habitantes. Com o mercado pequeno e a baixa renda per capita, as pequenas cidades não têm viabilidade para manter salas de cinema em modelo comercial.

“Cabe ao estado regular e induzir. Mas não basta a vontade, tem que partir das condições objetivas”, disse, ao lembrar que a instalação de cinemas é uma decisão de agentes privados.

Para assistente de direção e produtora dos filmes Amarelo Manga (2003), Baixio das Bestas (2006) e Fe­bre do Rato (2011), Júlia Mo­raes, o cinema no Brasil é de elite e esbarra no problema grave de cultura e educação. Na opinião da produtora, o problema social se agrava com a má circulação das cópias das películas para exibição dos filmes. “Há um gargalo na distribuição. O resultado é que o filme nunca chega ao público dele”, diz.

Para o secretário adjunto de Cultura da cidade de São Paulo e professor de roteiro da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), José Roberto Sadek, a distribuição de filmes é cara. Além da exibição de filmes no Brasil estar concentrada regionalmente, Sadek lembra que é da natureza do cinema a concentração das produções em alguns locais. “Isso ocorre porque a mão de obra é cara, assim como o equipamento e a finalização”, ressalta. Segundo ele, São Paulo e Rio estão perto dos estúdios e das emissoras de TV. “O dinheiro está aqui, assim como a maioria das produtoras e a maioria dos profissionais”, complementa o diretor de cinema independente, brasiliense, e que vive em São Paulo, Luiz Roberto Menegaz. “Se não mora no Rio ou em São Paulo, é muito difícil ser levado a sério”, lamenta, ao recomendar que mesmo sendo uma produção amazônica é melhor vir para o Sudeste.

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