PT Jogando Contra Si

Com o passo dado, ontem - ao se desfiliar do PT e entregar o mandato de deputado federal - , Maurício Rands, além de sacramentar que o PT está longe de encontrar a tão procurada unidade, incorreu em outro gesto: deu razão ao prefeito João da Costa, com quem, há poucos meses, duelou em prévias. Na carta, na qual justifica sua “retirada” da cena política, Rands registra que “setores dominantes da direção nacional do PT já tinham outro roteiro que não o debate democrático com a militância do PT no Recife”. Sugere, assim, que a candidatura de Humberto Costa a prefeito do Recife foi premeditada. E completa: “cometeram o grave equívoco de ter a pretensão de impor, a partir de São Paulo, um candidato à Frente Popular e ao povo do Recife”. O discurso contra o “autoritarismo” é o mesmo que foi proferido pelo prefeito, ao ver retirado seu direito de concorrer à reeleição. Num balanço do processo, Rands que foi às prévias com o apoio de Humberto, hoje quer distância do senador, assim como João da Costa e seu grupo. Nem André Campos, nem Tereza Leitão, nem Fernando Ferro, por exemplo, declararam apoio ainda ao candidato petista. E o Partido dos Trabalhadores e das lutas sindicais segue dividido rumo às eleições, com duas de suas lideranças declarando-se vítima da falta de democracia na legenda.

Ironicamente - A opinião do prefeito e de Rands é a mesma do oposicionista Mendonça Filho (DEM), que, a despeito dos rumores de um pacto de não agressão com o PT, afirmou, em sua convenção: “o candidato do PT foi escolhido pelo diretório de São Paulo”. No fim, Maurício e João da Costa podem acabar no mesmo palanque: o de Geraldo Júlio.

O profissional e o amador
“Diante do profissional, o PT se mostrou amador!”. A afirmação é do deputado estadual André Campos (PT) e resume bem a ação petista na cidade. Há um tom de mea-culpa na declaração. Ou seja, o PT teve adversários externos nesse tempo de preparo rumo às eleições e, diante da ameaça, não criou defesas, se deixou ser atingido.

Na defensiva
Em Nova Iorque, onde esteve com Eduardo Campos, no último dia 25, Maurício Rands já dizia a socialistas que deixaria o PT. Há rumores de que ele pode ingressar no PSB. E o grupo de Humberto Costa acredita nisso. O senador ficou sentido porque, há tempos, tenta contato com Rands, que não atende nem retorna ligações. Aliados de Humberto veem o dedo do governador na “jogada”.

Fala...
Ele já criticava o modus operandi do PT há muito tempo. Ontem, ao ver Maurício Rands deixar a sigla, Jarbas Vasconcelos pontuou: “O gesto dele é importante, mostra dimensão exata do que vai ser a eleição do Recife. O ato mostra como é difícil ter liberdade, hoje, para conviver dentro do PT”. 

Jarbas!
E como a coluna cantou a pedra, Jarbas recebeu o candidato da Frente Popular, Geraldo Júlio, em sua casa, ontem. “Só conhecia ele por foto”, contou bem-humorado o senador. O socialista lembrou que, em 1982, cruzou com o peemedebista, então candidato a deputado federal, no Mercado da Encruzilhada.

Renata Bezerra de Melo 
Folha-PE

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