Pernambucanos Colocam Nova Iorque Para Forrozar
José Teles
Jornal do Comércio
NOVA IORQUE - "Aqui tem mais forró de verdade do que em Caruaru." O comentário, de Biliu de Campina, um dos mestres do forró que se apresentaram no Midsummer Night Swing prestando um tributo a Luiz Gonzaga, na última sexta-feira (13/7). Com o irrequieto Biliu estiveram no palco Maciel Melo, Walmir Silva e o Quarteto Olinda. Além deles os músicos que acompanharam o trio Maciel, Biliu e Walmir, formado por Juninho (guitarra), Bráulio Araujo (baixo), Bem-Te-Vi (zabumba), Zeca (triângulo), e Beto Hortiz (sanfona), uma parceria entre a Empetur, a Embaixada Brasileira em Nova Iorque e o Lincoln Center.
Na esplanada do Lincoln Center, o forró tocou desde cedo com um casal de bailarinos ensinando coreografias da dança à plateia, composta em sua maioria por americanos, mesclada com, naturalmente, brasileiros saudosos de um arrasta-pé. Rolou até uma quadrilha improvisada. Para ver não se pagava, porém para dançar precisava-se pagar US$ 8 para ter acesso à pista de dança, diante do palco, como uma área vip de show no Brasil.
E os americanos estavam mesmo dispostos a dançar, porque na pista havia mais gente do fora dela. Muitos, certamente, influenciados pelas duas páginas e meias que o jornal The New York Times (NYT) abriu para o evento e para a moda de forró que está começando a pegar em Nova Iorque, com pelo menos cinco casas onde se toca e dança os gêneros nordestinos brasileiros.
O Quarteto Olinda abriu o forrobodó para Gonzagão tocando um repertório autoral, de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, e até Edu Lobo. O forró rabecado do Quarteto Olinda, que faz uma pequena turnê de seis apresentações nos EUA, agradou ao publico que queria se divertir num começo de uma noite de sexta-feira, independente do aziago 13 que ela carregava. Dançava-se da forma que se achava certo dançar e essa informalidade do forró diferencia-o da salsa.
Com jeito de hillbilly - caipira americano, louro, barbas brancas, olhos azuis e um inseparável chapéu de couro de abas largas - e uma bolsa a tiracolo, Biliu de Campina levantou a plateia, com seus cocos e rojões, autorais e tomados emprestados ao repertório de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga.
"Depois que o forró chegou no Abril pro Rock/desta vez eu vou tocar em Nova Iorque", de Forró em Nova Iorque, rojão do habilidoso Walmir Silva, que fez a música durante os ensaio para o show, ainda no Recife.
O responsável pela programação do Midsummer Night Swing, Bill Braggin disse que o show foi perfeito. E perfeito apesar da chuva que começou a cair quando Maciel Melo adentrou o palco. Ele foi firme num repertório conciso começando com duas autorais, porém quando enveredou pelos clássicos de Luiz Gonzaga começou a chover. Mas, os americanos não foram embora.

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