Mobilidade Ainda é “Adversário” Para a Copa

Raphael Coutinho _PE247 – Sempre que algum gestor, ligado diretamente às obras para a Copa do Mundo de 2014, concede entrevista, o assunto mobilidade toma grande parte do tempo. Não é só da reforma de estádios e ampliação de aeroportos que é feita a preparação do Brasil para o maior evento mundial do futebol. O planejamento para que as pessoas, turistas e a população local possam se deslocar com tranquilidade pelas vias da cidade, usando o transporte público ou particular, também conta como ponto de avaliação da Fifa, além de garantir um legado para as cidades-sedes. No entanto, para especialistas, o país não tem adotado políticas satisfatórias com relação ao trânsito para atender a este contingente de pessoas.

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), serão 3,6 milhões de visitantes somente no ano da Copa. A preparação das 12 cidades-sede para os eventos no que diz respeito à mobilidade inclui ações como a execução de obras de infraestrutura viária; a implantação no Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE) do sistema bus rapid transit (BRT), que consiste em corredores exclusivos para ônibus; a instalação do trem elétrico sob monotrilho em São Paulo (SP) e Manaus (AM) e do veículo leve sobre trilhos (VLT) em Brasília (DF) e Fortaleza (CE); a integração de terminais de passageiros, entre outras medidas. No total, estão previstos investimentos de R$ 10,9 bilhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em todas as visitas oficiais de membros da Fifa ao Recife, o Governo do Estado garante que as principais obras de mobilidade serão entregues já em 2013 para a Copa das Confederações. Entre elas está a duplicação da BR-408, que dá acesso à Arena Pernambuco, a estação de metrô Cosme e Damião e o Ramal da Copa, que ligará a estação à Arena. No entanto, o problema vem sendo descentralizado no Recife. Obras como a Via Mangue e os corredores Norte/Sul e Leste/Oeste também já começaram suas intervenções, mas só serão concluídos em 2014.

Além do investimento em transporte coletivo e em engenharia de tráfego, haverá a definição de uma logística para a circulação dos turistas e moradores das sedes durante os eventos, que ficará a cargo do Ministério da Justiça. O órgão criou comissões de Segurança Pública estaduais para tratar do assunto. Elas se reunirão, a partir deste mês, para discutir um plano de mobilidade urbana, a ser concluído até o fim de setembro.

Na avaliação de analistas, entretanto, tais iniciativas podem ser insuficientes para garantir um trânsito tranquilo durante os eventos. Além de um possível atraso na entrega das obras. No fim do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez um alerta ao Governo Federal, pois somente 5% do valor destinado à mobilidade havia sido executado – o órgão aponta a inadequação do modelo de tráfego brasileiro à movimentação de pedestres, ciclistas e usuários de transporte coletivo.

Para Artur Morais, pesquisador em transporte na Universidade de Brasília (UnB), historicamente as políticas de trânsito no país privilegiam motoristas em detrimento de pedestres. “O modelo de mobilidade implantado em toda cidade brasileira é baseado no carro, do qual se vê um excesso nas ruas. Investe-se pouco em transporte público. Eu vejo as pessoas querendo fazer viadutos, alargar vias. Na verdade, o que poderia de fato ajudar seriam ciclovias, calçadas e um transporte coletivo melhor”, sugeriu.

Com informações da Agência Brasil.

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