Candidata a Primeira Mulher Presidente do Afeganistão Quer Mudar Imagem do País
Com menos de 40 anos, Fawzia Koofi já fez história no Afeganistão. A política e ativista é a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente do Parlamento do Afeganistão. Em 2014, Fawzia pretende sair como candidata nas eleições presidenciais.
Convidada pelo 1º Fórum Mulheres Reais que Inspiram, idealizado pela jornalista Ana Paula Padrão, a parlamentar afegã veio ao Brasil no início desta semana. Em entrevista aoR7, Fawzia falou sobre a situação das mulheres no Afeganistão e sobre seus planos, caso seja eleita presidente do país.
Questionada sobre a dificuldade de uma mulher alcançar altos cargos políticos, Fawzia assegurou que é preciso "perseverança e continuar passando suas mensagens".
— Acho que é a mesma coisa no mundo inteiro. As mulheres enfrentam os mesmos problemas, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, seja no Afeganistão. O problema é que o Afeganistão é um país muito tradicionalista: os homens sempre governaram o país, e considerava-se que as mulheres deveriam apenas cuidar da família e dos filhos. Mulheres não eram vistas como seres iguais, que poderiam fazer mudanças na sociedade, que poderiam contribuir para as mudanças.
A parlamentar disse que, desde 2001, a situação das mulheres "melhorou muito" no Afeganistão.
— Não podemos comparar nossa situação atual com o regime Taleban. Hoje nós temos mulheres no Parlamento, mulheres protestando nas ruas. Mas é claro que ainda temos muito que mudar. A pobreza é um grande problema, assim como o desnível educacional e a violência. Recentemente, teve um caso de uma jovem, de apenas 14 anos, que foi torturada pelo marido e pela família e mantida em cárcere privado durante seis meses. É esse tipo de violência que temos que combater.
Para Fawzia, um grande problema é que as mulheres ainda enfrentam resistência das próprias famílias.
— Ainda que hoje as mulheres estejam trabalhando como professoras, médicas e membros do Parlamento, elas ainda enfrentam a resistência das próprias famílias. É difícil para a família afegã aceitar uma mulher forte. Mesmo nossos irmãos não nos olham seriamente. Eu vim de uma família de políticos, mas tive que convencê-los que eu também poderia trabalhar com política. Apenas nos últimos cinco anos eles começaram a me apoiar e confiar em mim.
Fawzia conta que se tornou um exemplo para as mulheres afegãs, mas que existem muitas pessoas como ela lutando no país.
— Acho que existem centenas de milhares de mulheres como eu, que passaram pelas mesmas violências e que sacrificaram suas vidas por uma causa. A única diferença é que me tornei alguém que pode ser porta-voz das outras mulheres. A cada dia, de cinco a seis mulheres vêm até mim falando que apanharam do marido, que querem o divórcio, ou pedindo emprego. E eu posso ajudá-las. Quando eu entrei no mundo da política, algumas mães começaram a dar meu nome a suas filhas, como uma maneira de manter a chama acesa.
Caso consiga tornar-se presidente do Afeganistão, a política pretende tentar mudar a imagem de seu país.
— Pretendo mudar a visão que o mundo tem a respeito do Afeganistão. Hoje, quando se fala no Afeganistão, já se pensa em guerra, no Taleban. Em segundo lugar, precisamos melhorar a situação econômica do país como um todo, assim como melhorar a educação.
Foto:Orlando Oliveira / Divulgação
R7

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