Reciclagem Após Faxina
Um ano depois da demissão que abriu as portas para uma sequência inédita de quedas na Esplanada dos Ministérios, o destino de cada um dos seis ministros envolvidos em denúncias de irregularidades à frente de suas pastas é bem diferente. Enquanto alguns já retornaram ao cenário político por meio das negociações de bastidores ou das movimentações para disputar as eleições municipais, outros preferiram se afastar de vez da vida pública, caindo no anonimato.
Antonio Palocci (PT), Alfredo Nascimento (PR), Wagner Rossi (PMDB), Pedro Novais (PMDB), Orlando Silva (PCdoB) e Carlos Lupi (PDT) têm em comum processos de investigação que tramitam em diferentes áreas do Judiciário e esperam pela conclusão das apurações das denúncias referentes as suas gestões. Palocci, ex-ministro da Casa Civil, e Rossi, ex-titular da Agricultura, foram os únicos a deixar a vida pública (veja quadro). Os demais seguem envolvidos com o cotidiano político de Brasília. É o caso de Pedro Novais, defenestrado do Turismo em setembro passado, que retomou a cadeira na Câmara dos Deputados representando o Maranhão. Afastado dos holofotes, nem sequer foi à tribuna desde então.
A outra metade dos ministros demitidos durante a faxina continua imersa na política partidária. Envolvidos diretamente nas negociações para as eleições municipais de outubro, o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, presidente do PR, e o antigo chefe do Trabalho Carlos Lupi, presidente do PDT, participam ativamente do dia a dia de suas legendas.
Já o ex-titular do Esporte Orlando Silva - o único que deve concorrer em outubro - é apontado como um dos pré-candidatos a vereador em São Paulo e espera conseguir nas urnas a confirmação de que seu nome não foi chamuscado com as denúncias de irregularidades de sua gestão na Esplanada. Segundo o secretário do diretório municipal do PCdoB de São Paulo, Rovilson Portela, será uma ótima oportunidade para mostrar que a sociedade entendeu que Orlando teria sido vítima de acusações infundadas.
“A vontade de sua candidatura parte principalmente do partido, que defende que ele seja julgado nas urnas sobre as acusações que recebeu. Como não existiram denúncias concretas por parte da Justiça, uma vez que nenhuma irregularidade foi confirmada, sua candidatura é muito desejada”, argumenta Rovilson. Atualmente, um processo envolvendo o ex-ministro tramita em sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), analisado pelo Cesar Asfor Rocha.
Por onde andam
Antonio Palocci
Demitido em 7 de junho, é investigado pelo MPF/PRDF por improbidade administrativa. Hoje, dedica-se à sua empresa de consultoria.
Alfredo Nascimento
A Superintendência da Polícia Federal apura supostas irregularidades em contratos com o Dnit e a Valec durante a gestão do então ministro, defenestrado em 6 de julho. Após a crise, reassumiu o mandato de senador.
Wagner Rossi
Afastado da política, retornou a Ribeirão Preto e se dedica ao agronegócio. Demitido do Ministério da Agricultura em 17 de agosto, é investigado pelo MPF-DF por irregularidades em contratos com a Conab.
Pedro Novais
Defenestrado em 14 de setembro após uma série de denúncias envolvendo ONGs ligadas ao Ministério do Turismo, retornou à Câmara dos Deputados. A assessoria jurídica da Procuradoria-Geral analisa as irregularidades nos convênios firmados com a pasta.
Orlando Silva
Na mira do STJ por irregularidades envolvendo convênios do Ministério do Esporte, o comunista deixou o cargo em 26 de outubro. Hoje, é um dos pré-candidatos do PCdoB à Câmara Municipal de São Paulo.
Carlos Lupi
Deixou o Ministério do Trabalho em 4 de dezembro. O Ministério Público Federal apura denúncia de improbidade administrativa. Atualmente, exerce a presidência do PDT.
Correio Brasiliense

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