O Que Vai Ser do PT?
Gilberto Prazeres _PE247 – Após meses mergulhado num imbróglio sem precedentes, o PT recifense enfrenta, agora, o seu momento mais delicado desde que conquistou a Prefeitura, em 2000. A maior referência do campo governista, o PSB do governador Eduardo Campos, rompe com os mandatários da capital pernambucana em nome justamente da unidade. Os petistas esqueceram que faziam parte de uma aliança e deram uma aula de como bagunçar a Frente Popular, deixando de ouvir seus componentes e alimentado suas eternas e, em alguns momentos infantis, disputas internas.
O partido se vê, agora, isolado diante de um adversário que detém 14 siglas aliadas no palanque e uma liderança política que tem, em sua gestão bem avaliada, o principal argumento para convencer o eleitor a permanecer com a Frente Popular, porém com um horizonte menos conturbado do que o apresentado pelos antigos aliados.
O PT ainda vai precisar explicar a população uma série de perguntas que, convenhamos não são fáceis de responder. Terá que dizer claramente que o porquê da retirada do prefeito João da Costa da sucessão, as razões que levaram a isso – como a enfadonha briga do gestor com o seu antecessor e ex-padrinho político, João Paulo – o porquê do próprio João Paulo não voltar à cena neste momento, já que ele lidera as pesquisas de intenção de votos, e, claro, o porquê de apostar em um senador que cumpriu, até o momento, um ano e meio de um mandato de oito anos. E tudo isso com bem menos tempo de TV no guia eleitoral, uma vez que deverá rumar sem aliados.
Ao costurar a candidatura do ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio, o governador Eduardo Campos mostrou ao PT como o jogo teria que ter sido feito. O socialista, mesmo ungido pelo status de maior liderança do bloco situacionista, fez questão de cumprir o ritual que é natural a esse momento. Analisou pesquisas e consultou aliados. Depois de esgotar todos os trâmites que poderiam dar legitimidade a sua decisão.
Por que o PT não fez o mesmo? Os petistas, levados por suas divisões internas, se preocupou apenas em discutir alternativas intrapartidárias. Antes de questionar aos aliados se o prefeito João da Costa teria viabilidade ou não para disputar a sucessão recifense, lideranças da legenda fizeram a sua avaliação e partiram para o fight aumentando a tensão do bloco governista, que esperou até onde pôde pela construção da almejada unidade. Algo que ainda não ocorreu e que dificilmente ocorrerá, pelo menos, até o dia 7 de julho, quando será iniciada a campanha eleitoral.
A legenda deve, agora, apostar (ou apelar), mais uma vez, para a imagem do seu maior referencial para tentar reverter esse quadro: o ex-presidente Lula. Entretanto, com a real possibilidade de o maior cacique da sigla se dedicar quase que integralmente à campanha do ex-ministro Fernando Haddad, em São Paulo, os petistas recifenses deverão lutar com bem menos fôlego.

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