O Polêmico “Porta-Voz” da CPI do Cachoeira

PE247 – A atuação entusiasmada do deputado federal Silvio Costa (PTB-PE) na CPMI que investiga as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cacheira, com políticos e empresas privadas tem chamado bastante atenção de quem acompanha as sessões da comissão. Afeito às declarações de efeito, quase sempre permeadas por uma aparente indignação, o parlamentar não titubeia ao se posicionar sobre os rumos do processo e, principalmente, com relação aos seus depoentes. Mas a postura eufórica do petebista não é novidade para os que conhecem a sua trajetória política. A Imprensa pernambucana coleciona episódios repletos de declarações “atômicas” e reações, no mínimo, curiosas desse personagem singular da CPI.

Silvio Costa, que está no seu segundo mandato federal, já fora considerado um dos principais nomes da chamada Minoria da Câmara dos Deputados na legislatura passada, quando ainda figurava nos quadros do PMN. Na época, o parlamentar era visto como um líder do bloco que reúne os membros, digamos, menos célebres da Casa, justamente pela sua postura franca com os colegas, de falar sempre o que pensava e sem muito “arrodeio”, como ele mesmo gosta de falar. 

Curiosamente, o deputado federal Romário (PSB-RJ), ao assumir sua vaga na Câmara, em 2011, declarou que tem justamente Silvio Costa como uma de suas referências no mundo da política. O “baixinho”, que já protagonizou uma série de episódios polêmicos em pouco mais de um ano e meio de Parlamento, parece ter seguido à risca a cartilha do colega pernambucano.

No seu Estado de origem, Costa se notabilizou como um defensor ferrenho do governador Eduardo Campos (PSB) e um crítico voraz do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), durante as duas gestões (1999-2002/2003-2006) do peemedebista no governo estadual. Silvão, como é chamado pelos aliados mais próximos, era uma das principais vozes da oposição ao cacique pernambucano, na Assembleia Legislativa, e sempre se referiu ao desafeto como alguém que tenta bancar “o paladino da ética”.

Recentemente, no âmbito municipal, o deputado foi um dos primeiros a questionar, dentro do campo governista, o projeto de reeleição do prefeito João da Costa (PT). O parlamentar é defensor de múltiplas candidaturas do bloco.

Silvio Costa acumula ainda em seu currículo dois mandatos de vereador do Recife e duas passagens pelo Parlamento estadual. Em 2008, após a eleição do então deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB) a prefeito de Olinda, o petebista deixou a condição de suplente para assumir efetivamente sua cadeira na Câmara.

Na CPI do Cachoeira

Com relação à CPI do Cachoeira, nesta quinta-feira (14), o petebista criticou o fato de seus colegas vetarem as convocações do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, e do ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, "Não dá para brincar com a esperança das pessoas", bradou, inconformado, Costa.

O petebista já havia cobrado uma postura “de parlamentar” do senador Demóstenes Torres (sem partido – GO), que se utilizou o direito constitucional de permanecer calado durante o seu depoimento. O silêncio do ex-democrata irritou Silvio Costa, que, aos gritos, o chamou de "ex-futuro senador", “mentiroso” e “hipócrita". E, se não bastasse a força dos adjetivos atribuídos ao depoente, o deputado ainda soltou: "O senhor não vai para o céu, que não é lugar de mentiroso". Após a explosão de Costa, a sessão foi encerrada poucos minutos após o seu início. 

Após os depoimentos dos governadores Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF) na CPI, Silvio Costa praticamente absolveu os dois gestores, afirmando que eles “deram as declarações que o Brasil queria ouvir”.

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