Servidor Público escreve Cartas Para a Presidente Dilma Todos os Dias



Folha de São Paulo
Entre as milhares de cartas enviadas para a presidente Dilma, nem todas são catalogadas pela Presidência. Às vezes, uma mensagem não consegue ser encaixada entre as categorias criadas pela equipe do Planalto e cai, invariavelmente, na pilha dos "excêntricos".

Ao menos é assim que são chamados os remetentes de cartas e emails inusitados. É nesse monte que são depositadas as cartas do servidor público Sérgio Barbosa Silva, 55.
Quase diariamente, ele vai à agência dos Correios na rodoviária da capital postar uma carta para a presidente, antes de completar o seu trajeto até o Tribunal Superior do Trabalho, onde é técnico judiciário. O hábito, ele conta, surgiu quando José Sarney ainda era o presidente da República.
Foi a insistência de Sérgio, na verdade, que deu origem à categoria de "excêntricos", ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, quando teve início o processo de classificação das cartas.
Difícil é entender o que está escrito nos pequenos pedaços de papel - a letra é quase impossível de ser entendida. "Eu sugiro melhorias para o povo, para as futuras gerações", explica o servidor, que mora em Taguatinga, cidade no entorno de Brasília.
Ele já fez comentários sobre a zona do euro ("acho que a moeda única deveria acabar") ao dinheiro desperdiçado em casos de corrupção ("por que tem dinheiro pra corrupção e não tem para o reajuste dos professores?").
Bem informado sobre o que acontece no Brasil e no exterior, ele guarda pilhas de jornais e papeis em casa, onde mora com os dois filhos. "Notícia que eu não tenho tempo de ler deixo ali. Aí depois eu leio."

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