A rotina pesada de blogueiro, escravo da notícia, rouba meu tempo das crônicas, que adoro escrever. Crônicas nascem do passado e do presente, do quotidiano, na maioria das vezes inspiradas em episódios que nos marcam profundamente. Em Afogados da Ingazeira, nos meus anos dourados, havia um cego que adotou uma regra básica para agradecer a esmola. “Deus te livre do mau vizinho que é a pior praga que existe”, repetia, incansavelmente, quando alguém lhe estendia a mão com uma oferta em dinheiro. Já li que quando Cristo andou no mundo, estando um dia à sombra de uma figueira, vendo Cefas Simão sentado sobre uma pedra teria exclamado: “Levanta-te daí, porque há 200 mil anos sentou-se nessa mesma pedra um mau vizinho”. Atire a primeira pedra quem nunca teve um mau vizinho? A crônica, vale a ressalva, não foi provocada pelo meu vizinho, que é ótimo, educado e boa gente, mas tenho péssimas recordações de vizinhos insuportáveis. Em Brasília, um homem bravo, de energia pesada e negativa, já...