Baixo nível de água da Barragem de Jucazinho preocupa população do Agreste

Lívia Mota
Folha-PE

Operando com baixo nível de água, a Barragem de Jucazinho, principal fonte de abastecimento da cidade de Caruaru, e de mais 15 cidades do Agreste, preocupa a população. O manancial, considerado o maior do Agreste, com capacidade de aproximadamente 328 milhões de metros cúbitos atualmente se encontra com 18% do nível total. “Se até a próxima quadra de chuvas no Agreste, que compreende os meses de março, abril, maio e junho, ela não for reabastecida corre o risco de entrar em colapso”, afirmou a superintendente da Unidade de Negócio do Agreste da Compesa, Nyadja Meneses. No entanto, ela explicou que a cidade não depende somente de Jucazinho. “Caruaru é abastecida por dois mananciais. Jucazinho corresponde a 60% da oferta, o restante fica com a Barragem do Prata, queapesar de ter capacidade inferior a de Jucazinho, está com 90% do seu nível”, detalhou.
Aguinaldo Lima/Folha de Pernambuco
Jeane Gonçalvez gasta R$ 150 por mês com carros-pipa
Os órgãos de controle estão reticentes com a oferta de chuva. De acordo com o gerente de Meteorologia da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), Patrice Oliveira, as previsões para as quadras de chuva no Sertão ficam na média, o que deve se repetir no Agreste. “No Sertão, o período de chuva começa em dezembro e nos estudos que fizemos o nível de chuva ficará na média. Ainda não fizemos a previsão para a quadra de chuvas do Agreste, que começa quando a do Sertão termina, mas acredito que mantenha o prognóstico”, revelou. O que muito se questiona é se a quantidade de chuva do próximo ano será suficiente para suprir os déficits nos mananciais. Como garantia a população já tratou de aderir reservatórios em suas residências.

É o caso da costureira, Nair Soares, de 55 anos, que instalou uma cisterna no quintal da sua casa, com capacidade para sete mil litros de água potável. “A gente resolveu fazer a cisterna desde a estiagem de 2012. De lá para cá a oferta de água varia, tem épocas que fica melhor, mas agora mesmo não estou recebendo água nas torneiras. Esse racionamento já vem há alguns meses”, afirmou. A moradora do bairro José Carlos de Oliveira, Jeane Gonçalvez, de 32 anos, contou que chega a gastar cerca de R$150,00 por mês com água de carros-pipa. “A gente espera chegar. Fica tocalhando as torneiras e nada de água. Só resta comprar dos carros-pipa. Eu tenho dois filhos pequenos em casa não tenho como ficar muito tempo sem água. Às vezes são os vizinhos que socorrem a gente”, relatou.
Segundo a Compesa, o racionamento de água se dá pela dificuldade no abastecimento e não pela falta de água. “Podemos dizer que Caruaru é privilegiada se comparada a outras cidades do Agreste, como Santa Cruz do Capibaribe e São Caetano, que ficam entre 20 a 28 dias sem água nas torneiras”, enfatizou Nyadja Meneses.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paulista abre inscrições para curso de Libras (Educalibras) 2026.1 com aula inaugural em março

Na Alepe, governadora Raquel Lyra diz que Pernambuco está acima de qualquer disputa e que o futuro se constrói com trabalho e união

Abertura do Carnaval de Paulista 2026 lota a Orla do Janga