Em Olinda, câmeras flagram brigas e consumo de drogas em prévias

Brigas entre grupos de jovens, consumo e venda de drogas indiscriminados. O que era para ser um domingo de diversão e prévias carnavalescas está se tornando motivo de medo e preocupação para moradores e frequentadores da Cidade Alta, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Até mesmo uma igreja está deixando de celebrar missas aos domingos devido à violência.
As câmeras da TV Globo flagraram, em dois domingos do mês de janeiro, cenas de violência e consumo de drogas, como mostrado no vídeo ao lado. Nas ruas próximas à Igreja de São Pedro, um homem de boné amarelo é visto vendendo loló, colocado em latas de refrigerante e cerveja.

Uma adolescente chega a perder os sentidos ao consumir a droga, só despertando quando uma vendedora de bebidas se aproxima para ajudar e joga água gelada em seu rosto. “Essa é uma das drogas mais perigosas que tem. Se aquela jovem não tivesse despertado rapidamente, ela poderia ter entrado em coma ou até ter morrido. O loló pode causar paralisia no cérebro da pessoa e também no pulmão”, alerta o psiquiatra Carlos Gustavo Arribas.
As imagens mostram também jovens consumindo drogas em uma plataforma de observação da Secretaria de Defesa Social. “A plataforma serve para o policial ficar elevado e ter melhor visibilidade de toda a área. Pela imagem da câmera, está claro, deve ter sido à tarde. Nós ficamos na plataforma das 16h até às 23h. Deve ter sido nesse intervalo ou em momento que o policial desceu da plataforma para atender às ocorrências”, afirmou em entrevista ao NETV o Major Gustavo Alves, da Companhia Independente de Apoio ao Turismo da Polícia Militar (Ciatur).
Em outra cena registrada pelas câmeras, jovens vestidos com bermudas e camisetas coloridas aproveitam os acordes da orquestra de frevo para começar a distribuir socos e pontapés. Os organizadores do bloco tentam acalmar os ânimos, mas os apelos são inúteis, somente quando a polícia interfere os jovens fingem parar. Quando os policiais se afastam, a confusão recomeça.
Em frente à Igreja de São Pedro, as imagens mostram pessoas com medo da turma que está chegando ao local. Quando o grupo encontra com jovens de comunidades rivais, começa a agressão. Um rapaz leva vários golpes, cai no chão, levantando e fugindo em seguida. Pouco minutos depois, na escadaria da igreja, os agressores se cumprimentam e comemoram a vitória.
Confrontos parecidos se repetem em outros pontos da Cidade Alta. Na Rua do Amparo, o carro da polícia passa com as luzes apagadas. A poucos metros, as mulheres que acompanham um grupo de jovens também brigam. Uma delas quase tem a roupa arrancada.

Medo
Um morador de Olinda, que tem medo de se identificar e sofrer agressões, afirma que os arrastões também são comuns. “As pessoas de bem não têm direito aqui não. A cidade está entregue, quem mora aqui está sofrendo, todo mundo está revoltado. Violência e arrastões são comuns. O policial passa e também não diz nada”, conta.
O padre Dom Marcos Ferreira do Carmo cancelou as missas dos domingos na Igreja de São Pedro devido a violência. “Só para que você tenha uma ideia, já a partir do finalzinho do mês de setembro nós já tínhamos dificuldades de celebrar missa aqui. Além dessas festividades que nos impedem de celebrar o culto, nós temos essa sensação de insegurança. Temos arrastões que acontecem na cidade. Estamos impossibilitados de celebrar a fé neste local exatamente por causa da desorganização do carnaval. O carnaval, que poderia ser cultural, em Olinda se transformou em um elemento de violência”, reclama o padre.
Resposta
A Prefeitura de Olinda informou, através de nota, que, desde setembro são realizadas reuniões semanais sobre a organização das prévias e do carnaval. Esses encontros têm a participação de representantes da Ciatur. A prefeitura garante que está preocupada com a segurança no Sítio Histórico, onde, nas ruas principais foi melhorada a iluminação. A nota diz ainda que o governo municipal solicitou apoio à Secretaria de Defesa Social que teria reforçado o número de policiais na Cidade Alta.
O policiamento está sendo aumentado gradativamente, de acordo com o Major Gustavo Alves, com reforço policial aos domingos, inclusive de outros batalhões, como o de Choque. “Trabalham ao todo cerca de 150 policiais, de tarde até por volta das 22h”, explica o Major. O número deve aumentar com a proximidade do carnaval. “A Secretaria de Defesa Social vai instalar vinte câmeras, que devem começar a funcionar na próxima semana. Vai nos ajudar a identificar essas infrações”, lembra.

Do G1 PE

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