A nova/velha democracia: juventude e movimentos populares reacendem debate sobre participação política
Em artigo, o historiador e cientista político Ricardo Andrade analisa mobilizações estudantis internacionais e questiona os modelos tradicionais de representação política diante dos desafios do século XXI
As recentes mobilizações estudantis em diferentes países têm reacendido o debate sobre os rumos da democracia e a participação popular nas decisões políticas. Em artigo intitulado “A nova/velha democracia”, o historiador e cientista político Ricardo Andrade analisa movimentos protagonizados pela juventude na Europa, na Argentina e na Sérvia, relacionando essas manifestações à crise de representatividade e à necessidade de repensar os mecanismos de participação política.
O autor destaca a experiência sérvia, na qual estudantes organizaram uma articulação cívica denominada Lista dos Estudantes (Studentska lista), caracterizada pela construção horizontal e sem lideranças previamente definidas. Também aponta as manifestações na Argentina contra os cortes nos investimentos em educação superior e os protestos realizados em países europeus por melhores condições de vida, acesso à moradia e defesa de direitos sociais.
No cenário brasileiro, Ricardo Andrade relaciona a mobilização popular durante a campanha presidencial de Lula no segundo turno à construção de uma agenda política de baixo para cima, ressaltando a importância das redes sociais, das ruas e da participação direta da sociedade.
O artigo questiona se os modelos tradicionais de representação política são suficientes para responder aos desafios contemporâneos e defende a ampliação dos instrumentos de democracia direta e participativa. O autor também critica a ideia de que a adoção do voto distrital misto, por si só, representaria um avanço democrático, argumentando que o modelo poderia fortalecer estruturas partidárias tradicionais.
Ao abordar temas como concentração de renda, desigualdade, soberania, territorialidade, novas tecnologias e inteligência artificial, o texto propõe uma reflexão sobre a construção de um novo marco civilizatório, com maior participação social e compromisso com a garantia de direitos.
Para Ricardo Andrade, as mobilizações da juventude representam uma oportunidade de repensar os caminhos da democracia e o papel da sociedade na construção das decisões coletivas.
Ricardo Andrade é historiador e cientista político.


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