Pesquisadores da UFPE e UFRPE realizam expedição Diálogos na Caatinga
A equipe visitará comunidades localizadas em Unidades de Conservação no Semiárido brasileiro de 13 de julho a 2 de agosto
Com o objetivo de promover o diálogo entre a ciência e os saberes das populações locais da Caatinga sobre a biodiversidade, pesquisadores da UFPE e UFRPE irão realizar a expedição “Diálogos na Caatinga”, de 13 de julho a 2 de agosto, percorrendo o Semiárido brasileiro. A iniciativa é vinculada ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade Rede Semiárido Rabeca (PPBio Rede Semiárido Rabeca), coordenado pela professora Inara Leal, do Departamento de Botânica da UFPE, e será desenvolvida no âmbito do projeto associado “Comunicação pública da ciência sobre a biodiversidade da Caatinga”, liderado pela professora Carla Ribas, do Grupo de Estudos em Diversidade, Etnoecologia e Comunicação (Ecoversa) da UFPE.

Ao longo de 21 dias, uma equipe formada por seis pesquisadores visitará comunidades localizadas no interior e no entorno de sete Unidades de Conservação distribuídas pelos estados de Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia. O roteiro inclui o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), o Parque Nacional do Boqueirão da Onça (BA), a Estação Ecológica do Raso da Catarina (BA), a Floresta Nacional de Negreiros (PE), a Estação Ecológica de Aiuaba (CE), o Parque Nacional da Furna Feia (RN) e o Parque Nacional do Catimbau (PE). A equipe irá realizar encontros e rodas de conversa com moradores, associações comunitárias, grupos de mulheres, comunidades quilombolas e outros atores sociais que contribuem para a construção e a conservação dos conhecimentos sobre a Caatinga.
A professora Carla Ribas, da UFPE, que coordena o projeto, afirma que a iniciativa busca promover uma troca entre o conhecimento científico produzido pelos pesquisadores da Rabeca e os saberes das pessoas que vivem na Caatinga e convivem com esse ambiente desde o nascimento. “A integração desses saberes é essencial para fortalecer ações de conservação da Caatinga, tanto do ponto de vista científico quanto cultural e social. A proposta é construir um diálogo entre academia e sociedade, permitindo que os produtos de comunicação sejam elaborados de forma participativa, ouvindo e envolvendo todas as partes”, disse Carla. O projeto já promoveu cerca de vinte ações com foco na comunicação pública da ciência sobre a biodiversidade da Caatinga, sendo esta a primeira expedição a ser realizada pelo grupo.
Durante a expedição, serão desenvolvidas ações de comunicação e de popularização da ciência de forma lúdica e interativa, voltadas a diferentes públicos, especialmente crianças, jovens e famílias. Entre os recursos utilizados, estão jogos educativos, desenhos para colorir, quebra-cabeças, adesivos de organismos da Caatinga e outros materiais que abordam temas relacionados à biodiversidade, conservação e pesquisa científica na Caatinga. Além disso, a expedição desenvolverá atividades de pesquisa etnobiológica a fim de conhecer e dialogar com as comunidades sobre suas experiências relacionadas ao bioma.
Participam da expedição Diálogos na Caatinga a professora Carla Ribas (UFPE), a pós-doutoranda Francisca Oliveira (UFPE), a doutoranda Luiza Eulália de Azevedo Gonzaga (UFRPE), as graduandas Giselle Gomes da Rocha (UFPE) e Maria Clara Coelho de Oliveira Renkert (UFPE), além de Mikael Castro, integrante do Laboratório de Interação Planta-Animal (LIPA/UFPE).
Saiba mais – O projeto “Comunicação pública da ciência sobre a biodiversidade da Caatinga”, financiado pelo CNPq, integra o PPBio Rede Semiárido Rabeca e busca promover a divulgação científica e a comunicação pública da ciência relacionadas à Rede Semiárido Rabeca, de forma participativa e acessível para diferentes públicos.
O projeto possui duas etapas. Na primeira, pesquisadores apresentam informações científicas de forma interativa e lúdica sobre a biodiversidade da Caatinga e conversam com as comunidades para compreender suas percepções, experiências e seus conhecimentos relacionados à biodiversidade local. Na segunda fase, no fim do projeto, será realizada uma nova rodada de ações, reunindo os conhecimentos científicos e os saberes locais.
A partir dessa integração, serão desenvolvidos produtos e atividades de popularização da ciência voltados para temas considerados importantes tanto pelas comunidades quanto pelos pesquisadores. As atividades são realizadas em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma vez que as pesquisas ocorrem em unidades de conservação.
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