Sudene inicia construção do PRDNE 2028-2031 com foco nos impactos da reforma tributária e nas novas oportunidades para o Nordeste
Novo ciclo do plano vai orientar investimentos, políticas públicas e estratégias para fortalecer a competitividade da região em um cenário de transformação econômica
Plano aborda estratégias para o desenvolvimento do Nordeste em áreas como mobilidade e qualidade de vida. Foto: Joasouza (Depositphotos)
A Sudene deu início à construção da próxima versão do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), que irá orientar investimentos, políticas públicas e ações voltadas ao desenvolvimento da Região entre 2028 e 2031. O novo ciclo do plano terá entre seus principais desafios a adaptação do Nordeste aos impactos da reforma tributária, além da identificação de oportunidades ligadas à neoindustrialização, à inovação e à transição para uma economia mais sustentável.
O plano de trabalho para elaboração do PRDNE foi aprovado pela Diretoria Colegiada da Sudene em sua última reunião. As atividades começam ainda este ano com a produção de estudos técnicos e diagnósticos sobre a realidade econômica e social da Região. A etapa também contará com debates entre especialistas para apoiar a definição das prioridades de atuação de cada área considerada relevante para a estratégia de desenvolvimento. Em 2027, o processo avança para uma fase participativa, com a contribuição de governos estaduais, ministérios e representantes da sociedade na construção dos programas, metas, ações e projetos que irão compor a versão final do plano.
“O PRDNE é o principal instrumento de planejamento regional do Nordeste e da Sudene. É por meio dele que organizamos prioridades e alinhamos esforços para que as políticas públicas e os investimentos produzam resultados para a população. Nós vamos olhar para as transformações que já estão acontecendo, como a reforma tributária, a transição energética, sempre com o objetivo de ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida na Região”, afirmou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.
Diretoria Colegiada da Sudene, em reunião que definiu o plano de trabalho para o novo PRDNE. Foto: Elvis Aleluia (Ascom/Sudene)
Estratégia e novidades
Assim como nas versões anteriores, o PRDNE 2028-2031 será estruturado em sete eixos: Desenvolvimento Produtivo; Ciência, Tecnologia e Inovação; Infraestrutura Econômica, Urbana e Rural; Educação; Desenvolvimento Social; Meio Ambiente e Segurança Hídrica; e Capacidades Governativas. O plano também será alinhado a instrumentos nacionais de planejamento, como o Plano Brasil 2050, a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e o Plano Plurianual da União.
Os eixos reúnem áreas consideradas fundamentais para estimular a inovação, melhorar a infraestrutura, ampliar a qualificação profissional e fortalecer a capacidade de planejamento e gestão dos entes públicos.
Uma das principais novidades será a inclusão de estudos específicos sobre os efeitos da reforma tributária na economia nordestina. A proposta é avaliar os impactos das mudanças no sistema tributário, incluindo a transição dos atuais incentivos fiscais e seus possíveis reflexos sobre a atração de investimentos, a geração de empregos e a competitividade regional. Neste contexto, outro assunto que receberá atenção é o chamado vazamento de renda, fenômeno que ocorre quando parte da riqueza gerada no Nordeste acaba sendo transferida para outras regiões do País. A intenção é compreender melhor esse movimento e identificar alternativas para ampliar a retenção de renda e riqueza nos territórios nordestinos.
O novo PRDNE também contará com projeções econômicas que simularão os efeitos de diferentes estratégias de desenvolvimento sobre indicadores como produção, emprego e renda. Essas análises ajudarão a orientar decisões de longo prazo e a definir prioridades para os próximos anos.
“O novo plano regional já nasce apoiado em uma experiência importante. Vamos contar com uma rede de mais de 40 pesquisadores na elaboração dos estudos. Nos últimos anos, fortalecemos a articulação com os ministérios, o que permitiu integrar o plano aos instrumentos de planejamento do Governo Federal e dar mais efetividade à agenda territorial do Nordeste. Também construímos, em parceria com os estados, uma carteira de projetos estruturada que hoje nos oferece uma base ainda mais sólida para planejar novas iniciativas”, destacou o coordenador-geral de Cooperação e Articulação de Políticas da Sudene, Danilo Campelo.
Respaldo
Previsto na Lei Complementar nº 125/2007, o PRDNE é o instrumento que orienta a estratégia de desenvolvimento regional da Sudene. O plano apoia a articulação entre União, estados e municípios, contribui para o direcionamento de investimentos públicos e auxilia na definição de prioridades para instrumentos como o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Também serve de referência para a formulação de projetos estruturantes capazes de ampliar a competitividade e promover o desenvolvimento sustentável da Região.
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