Saúde ocular exige atenção redobrada durante as festas juninas
As festas juninas ocupam um lugar especial no calendário
cultural pernambucano. Entre quadrilhas, comidas típicas e celebrações
religiosas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, um dos elementos
mais tradicionais da festa também está entre os mais perigosos: os fogos de
artifício. Associados às fogueiras, eles são responsáveis por um aumento
expressivo dos acidentes oculares registrados nesta época do ano.
“Junho é um período em que observamos um crescimento
significativo dos traumas oculares relacionados aos festejos juninos. Muitas
dessas ocorrências são graves e podem deixar sequelas permanentes,
comprometendo a qualidade de vida do paciente. O mais preocupante é que grande
parte desses acidentes poderia ser evitada com medidas simples de prevenção”,
alerta a Dra. Marília Maruza, oftalmologista do Hospital de Olhos Santa Luzia.
Tradição que exige cuidados
Embora façam parte da cultura popular nordestina, os
artefatos pirotécnicos demandam atenção redobrada. A manipulação inadequada dos
fogos, o uso de produtos sem certificação e a falta de supervisão de crianças e
adolescentes estão entre os principais fatores associados aos acidentes.
“As lesões podem acometer diferentes estruturas do olho e,
dependendo da intensidade do trauma, exigir procedimentos cirúrgicos complexos.
Em alguns casos, infelizmente, a perda visual é irreversível”, destaca a
especialista.
Além dos fogos, a proximidade com as fogueiras também
representa um risco importante. O calor intenso, as brasas e até partículas em
suspensão liberadas pela fumaça podem causar irritações e queimaduras na
superfície ocular.
Prevenção é a principal aliada
Para evitar acidentes, especialistas recomendam que os fogos
de artifício sejam adquiridos apenas em pontos de venda autorizados e
utilizados conforme as instruções do fabricante. O uso de óculos de proteção
durante o manuseio e a manutenção de uma distância segura das fogueiras são
medidas importantes para reduzir os riscos.
A orientação é que crianças e adolescentes nunca tenham
acesso direto aos artefatos e estejam sempre sob a supervisão de adultos. “Os
pais e responsáveis devem estar atentos, porque muitas vítimas são apenas
espectadoras e acabam atingidas por acidentes provocados por terceiros”,
reforça a médica.
Em caso de acidente, a recomendação é não esfregar os olhos,
não utilizar colírios sem orientação médica e procurar atendimento
especializado imediatamente. A rapidez no atendimento pode ser decisiva para
evitar sequelas e preservar a visão.
Símbolo de tradição e identidade cultural, o São João pode
ser celebrado com alegria sem abrir mão dos cuidados com a saúde. A
conscientização sobre os riscos e a adoção de medidas preventivas são
fundamentais para que as festividades terminem apenas com boas lembranças e com
a visão preservada.

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