Nordeste mantém trajetória de crescimento e reúne condições para liderar nova agenda de desenvolvimento, afirma superintendente da Sudene

Francisco Alexandre participou do painel “O futuro do Nordeste: inovação, sustentabilidade e novas oportunidades”, realizado em Brasília

Segundo o superintendente Francisco Alexandre (discursando ao microfone), regiçao passou a acumular resultados positivos impulsionados por setores como comércio, serviços, indústria de transformação, agropecuária e construção civil. Foto: Andrea Pinheiro (Ascom/Sudene)

Brasília (DF) – O Nordeste consolidou nos últimos anos uma trajetória de crescimento econômico sustentada por diferentes setores produtivos e reúne condições para avançar em uma nova etapa de desenvolvimento baseada em infraestrutura, inovação, transição energética e atração de investimentos privados. A avaliação foi apresentada pelo superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, durante o evento Nordeste em Pauta: Resultados e Perspectivas da Região que Mais Cresce no País, realizado nesta terça-feira (17), em Brasília.

Participando do painel “O futuro do Nordeste: inovação, sustentabilidade e novas oportunidades”, ao lado da diretora do BNDES e presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho, do diretor de Planejamento do BNB, José Ademir Freire, e do CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, Francisco Alexandre destacou que o desempenho recente da economia nordestina reflete a capacidade da região de diversificar suas fontes de crescimento e aproveitar vantagens competitivas estratégicas.

Segundo o superintendente, após a retração registrada durante a pandemia, o Nordeste passou a acumular resultados positivos impulsionados por setores como comércio, serviços, indústria de transformação, agropecuária e construção civil. Ele observou que a alternância do protagonismo entre essas atividades contribuiu para sustentar a expansão econômica regional nos últimos anos.

“O Nordeste vive um momento diferente porque conseguiu construir uma base econômica mais diversificada e resiliente. O crescimento recente não depende de um único setor, mas da combinação de atividades produtivas que se complementam e fortalecem a economia regional”, afirmou.

A avaliação foi reforçada pelo presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, responsável pela abertura do evento. Segundo ele, o atual ciclo de expansão econômica da Região é resultado de transformações estruturais que vêm reposicionando o Nordeste no cenário nacional. “Quando ouvimos que o Nordeste é a região que mais cresce no Brasil, a reação imediata é olhar para os números. Mas talvez o mais importante não seja o quanto o Nordeste cresceu. A pergunta é: por que ele está crescendo?”, destacou.

Paulo Câmara ressaltou que, em pouco mais de uma década, o Produto Interno Bruto (PIB) regional mais que dobrou, passando de cerca de R$ 724 bilhões para aproximadamente R$ 1,76 trilhão. “Foram mais de R$ 1 trilhão adicionados à economia em apenas dez anos. Não se trata de um ciclo passageiro. Trata-se de uma mudança estrutural de escala econômica”, afirmou. Para ele, o Nordeste deixou de ser visto apenas como uma região de potencial e passou a ocupar uma posição estratégica para o futuro do Brasil, apoiada em múltiplos polos de dinamismo econômico.

O presidente do BNB também destacou os reflexos desse crescimento no mercado de trabalho. De acordo com ele, a taxa de desemprego na região caiu de níveis próximos a 19% em 2021 para cerca de 8%, enquanto mais de 347 mil empregos formais foram gerados nos últimos 12 meses.

Durante o debate, Francisco Alexandre ressaltou que o crescimento não ocorre de forma homogênea entre os estados nordestinos, uma vez que cada economia apresenta características produtivas próprias e responde de maneira distinta aos ciclos econômicos. Ele destacou que estados com forte presença da agropecuária, por exemplo, apresentaram desempenho mais robusto em determinados períodos, enquanto outros foram mais impactados pelas oscilações da atividade industrial.

Futuro

Ao abordar os desafios para elevar o patamar de desenvolvimento regional, o superintendente apontou a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura logística, hídrica e energética. Entre os empreendimentos com maior potencial de transformação econômica, ele citou projetos como a Ferrovia Transnordestina, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a expansão dos complexos portuários estratégicos da região e os investimentos ligados à transição energética.

“O Nordeste possui condições únicas para se posicionar como protagonista global da economia verde. O avanço das energias renováveis, do hidrogênio verde e das novas cadeias produtivas associadas à transição energética pode gerar oportunidades de investimento, inovação e geração de empregos qualificados em toda a região”, destacou.

Para os próximos anos, o superintendente da Sudene avaliou que a principal prioridade para a região deve ser a superação dos gargalos de infraestrutura, especialmente nas áreas de transportes, saneamento e conectividade digital. Segundo ele, a combinação entre planejamento de longo prazo, inovação e investimentos estratégicos será decisiva para ampliar a competitividade regional e reduzir desigualdades.

Promovido pelo Banco do Nordeste, com realização do site Metrópoles, o evento reuniu representantes do setor público, instituições financeiras e empresas para discutir os resultados econômicos recentes da região e as perspectivas para a consolidação de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável no Nordeste.

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