Estudantes de Oceanografia da UFPE realizam mapeamento do fundo do mar no Porto do Recife durante aula prática de Geofísica Marinha
A atividade permitiu a identificação de uma possível embarcação naufragada na região portuária

Com o objetivo de realizar um levantamento detalhado do fundo do mar na área do Porto do Recife por meio de técnicas de prospecção acústica, estudantes do curso de Oceanografia da UFPE participaram, no dia 29 de abril, de uma aula prática de Geofísica Marinha a bordo do Navio Ciências do Mar IV, o barco-escola do Nordeste brasileiro. A atividade, coordenada pela professora Tereza Araújo, permitiu a identificação de uma possível embarcação naufragada, além de revelar a presença de grande quantidade de resíduos depositados no fundo do mar da região portuária. Os dados obtidos durante a expedição foram analisados e deram origem ao artigo “A Importância de Levantamentos Sonográficos em Áreas Portuárias: Estudo de Caso no Porto do Recife-PE” que será apresentado no XI Congresso Brasileiro de Oceanografia, em agosto deste ano, na cidade de Vitória (ES).
A professora da UFPE, Tereza Araújo, explica que a sonografia marinha (método que utiliza ondas sonoras debaixo d’água para mapear o leito marinho) possibilita caracterizar o fundo do mar, o que é essencial em obras portuárias, como na dragagem para aprofundamento de canais, e imprescindível para a segurança da navegação. De acordo com a docente, é comum encontrar naufrágios e resíduos durante um levantamento sonográfico.
Durante a atividade prática, o grupo da UFPE descobriu uma embarcação naufragada com cerca de 20m de comprimento e 10m de largura, no centro do canal de navegação, nas proximidades do Centro Cultural Cais do Sertão. “Esse naufrágio parece ter sido recente, pois a embarcação está bem preservada. Além disso, no ano passado, fizemos esse mesmo levantamento e não identificamos a embarcação”, disse Araújo. De acordo com a docente, a descoberta de uma embarcação naufragada dentro da área de navegação do Porto do Recife reforça a relevância dos estudos sonográficos para cessação de riscos e otimização dos recursos portuários empregados. “Uma das principais importâncias da descoberta é o risco para a navegação, bem como para as atividades que acontecem na região. Por exemplo, se vai acontecer uma dragagem na área, essa é uma informação valiosa. Uma coisa é dragar em uma área com areia ou lama, outra coisa é ter esse obstáculo", disse Araújo.

A embarcação naufragada tem cerca de 20m de comprimento
Os resultados da atividade de campo e as descobertas obtidas durante o levantamento serão apresentados no XI Congresso Brasileiro de Oceanografia e também compartilhados com a equipe gestora do Porto do Recife. Para a professora, a participação no evento representa uma importante vitrine para a produção científica desenvolvida pelos estudantes.
“É muito importante levar as pesquisas produzidas por nossos alunos para um congresso nacional, especialmente, quando abordamos um tema tão relevante. Além de divulgar os resultados do estudo, temos a oportunidade de reforçar a importância dos levantamentos sonográficos para o monitoramento das áreas portuárias”, destacou Araújo.
Aula prática – A expedição a bordo do Navio Ciências do Mar IV durou cerca de quatro horas e foi uma possibilidade de os estudantes do sétimo período do curso de Oceanografia da UFPE compartilharem conhecimento na prática. Durante a vivência, os discentes tiveram a oportunidade de conhecer técnicas de prospecção acústica utilizando o equipamento Sonar de Varredura Lateral Klein System 4900, acoplado a um Sistema de Posicionamento Global (GPS), a fim de mapear o fundo marinho do Porto do Recife.
Esta foi a segunda vez que a atividade de campo foi realizada pela disciplina Geofísica Marinha, e a professora da UFPE Tereza Araújo comemorou os resultados. “Fiquei muito feliz ao ver os olhinhos da turma brilhando quando viram o equipamento ao vivo, quando ele foi para a água e fomos ao laboratório no navio ver o que estava sendo registrado”, comentou a professora, reforçando a importância do aprendizado em campo. “Aulas práticas são extremamente importantes para a formação dos alunos. Uma coisa é aprender em sala de aula, outra é a oportunidade de aula prática no mar, de ver os equipamentos, de aprender a programar uma saída, perceber as dificuldades do trabalho. Todos parecem estar bem felizes com a oportunidade e com os resultados frutos dessa experiência”.
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