Interesse dos jovens nas Forças Armadas e na Polícia Militar aumenta, mostra estudo com a participação da UFPE
Os dados foram coletados em novembro de 2025, com a consulta de 2.032 jovens entre 18 e 26 anos de idade
O interesse de jovens brasileiros por uma carreira nas Forças Armadas e na Polícia Militar cresceu de forma expressiva entre 2021 e 2025, segundo a pesquisa comparativa “Becoming or getting by” (Tornar-se ou sobreviver, em tradução livre), conduzida pelo King's College London em parceria com as universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Minas Gerais (UFMG) e a Sciences Po, na França.
Os dados foram coletados em novembro de 2025 com a consulta de 2.032 jovens, entre 18 e 26 anos de idade, por meio de um painel eletrônico com participantes de todas as regiões do país. Nenhum deles possuía vínculo com as Forças Armadas ou com as polícias militares. A partir desse levantamento, os resultados foram comparados aos obtidos em 2021, quando a pesquisa foi feita pela primeira vez. Os pesquisadores utilizaram metodologia equivalente nos dois momentos, o que permitiu uma comparação direta entre os dois períodos.

Dalson Figueiredo, professor do Departamento de Ciência Política da UFPE e um dos autores da pesquisa, explica que o principal achado foi o crescimento do interesse em carreiras militares. Segundo o docente, a proporção de respondentes com disposição em seguir esse tipo de trabalho cresceu cerca de 25% em quatro anos.
Quando perguntados se considerariam atualmente uma carreira militar no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica como opção de trabalho e emprego, a proporção de jovens que responderam "definitivamente sim" saltou de 19,9% para 30,7%, um crescimento de mais de dez pontos percentuais em quatro anos. Ao se somarem as respostas "definitivamente sim" e "provavelmente sim", o interesse geral passou de 43,8% para 55,6%, superando pela primeira vez a marca da maioria dos entrevistados. O estudo também traçou de forma detalhada o perfil destes jovens (gênero, raça/cor, escolaridade, região, religião) e as motivações que explicam esse crescimento.
O próximo passo, de acordo com Figueiredo, é realizar entrevistas com jovens e integrantes das Forças Armadas e Polícia Militar para compreender melhor os motivos pessoais e as expectativas institucionais, respectivamente. “A nossa meta é manter a pesquisa em ondas contínuas, de modo a garantir uma série de informações longitudinais disponíveis para outros estudos”, afirma. O professor também destaca a importância da parceria entre a UFPE e as demais instituições, afirmando que essa colaboração fortalece a universidade por meio da interação com uma ampla rede de parceiros ligados aos principais centros de pesquisa do mundo.
O estudo foi liderado pela professora Andreza Aruska (atualmente no King’s College London) e faz parte do projeto “Becoming or getting by”, que, em sua primeira edição, em 2021, esteve vinculado à Universidade de Oxford, no Reino Unido, e que também contou com a participação do professor Dalson Figueiredo, entre outros pesquisadores. Os autores publicaram os resultados da primeira edição da pesquisa em outubro do ano passado, na revista internacional Armed Forces & Society. O artigo está aberto para leitura, ampliando o acesso e a disseminação do conhecimento.
Assinam a segunda edição do estudo os professores Andreza Aruska de Souza Santos (King’s College London), Dalson Britto Figueiredo Filho (UFPE), Valéria Cristina de Oliveira (UFMG), Matheus Mendes (UFMG), Gabriel Feltran (Sciences Po) e Antônio Pires (IEA - USP).
Comentários
Postar um comentário