Pesquisa indica que detritos marinhos contaminados por óleo que atingiu costa brasileira em 2019 chegaram à Flórida

A associação com o lixo marinho favoreceu a preservação do óleo, que viajou por cerca de 8.500 km

Estudo realizado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos revelou que o óleo que atingiu a costa brasileira em 2019 chegou cerca de 240 dias depois às praias de Palm Beach, sul da Flórida, aderido ao lixo marinho. O trabalho é fruto de uma colaboração entre vários pesquisadores americanos, incluindo Christopher M. Reddy, da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI); a professora Eliete Zanardi-Lamardo, do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC). A pesquisa é apresentada no artigo “Long-Range Transport of Oil by Marine Plastic Debris: Evidence from an 8500 km Journey”, publicado pela revista científica Environmental Science & Technology.

“Este fato foi confirmado através de análises químicas forenses – caracterização do DNA do óleo aderido a garrafas de vidro e plásticas e a fardos de borracha – em associação a estudos prévios de modelagem de dispersão, realizados com garrafas de deriva. Muito do material recolhido em Palm Beach era de procedência brasileira, confirmado pelas informações nos rótulos em português”, afirma a professora Eliete Zanardi-Lamardo, que participou da cooperação com bolsa após ser selecionada pelo Programa Institucional de Internacionalização CAPES-PrInt (Edital nº 41/2017).

A docente do Departamento de Oceanografia comenta que os resultados surpreenderam os pesquisadores pois, geralmente, o óleo no mar é transportado por algumas centenas de quilômetros, até ser disperso e/ou degradado por ação da luz e de microrganismos. Sobre as características do caso analisado, a professora Eliete explica: “A associação com lixo marinho favoreceu a preservação do óleo, que viajou por cerca de 8.500 km, passando pelo Caribe, Golfo do México, e atingiu a Flórida”.

Ela avalia que este estudo é de fundamental importância por ter mostrado que os prejuízos ambientais podem continuar mesmo quando, aparentemente, o óleo foi removido e que ele confirma a necessidade do gerenciamento de resíduos, que podem gerar um problema local e global. “Demonstramos um efeito adicional da contaminação, no qual a poluição plástica facilita o transporte de longo alcance da poluição por petróleo”, destacam os pesquisadores no artigo.

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Professora Eliete Zanardi-Lamardo

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