Pior cegueira é a que não vê o outro na sua potencialidade integral, diz ministra Cármen Lúcia em evento do TSE

Declaração da presidente do Tribunal foi dada na abertura do 3º Encontro de Acessibilidade e Inclusão da Justiça Eleitoral




A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, participou, nesta sexta-feira (6), da abertura do 3º Encontro de Acessibilidade e Inclusão da Justiça Eleitoral. O Tribunal promove o evento em referência ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado na terça-feira (3 de dezembro).

Na abertura do encontro, a ministra destacou que “a pior cegueira é a que não vê o outro ser humano na sua potencialidade integral”. A magistrada ressaltou, também, que o evento é um momento para reflexões e de construção de propostas que aprimorem o processo político-eleitoral e democrático do país. Ela disse que os órgãos públicos, principalmente o TSE, têm o compromisso de fazer com que todas as pessoas que compõem a cidadania brasileira tenham igualdade de oportunidades.


“O Tribunal Superior Eleitoral, que é o Tribunal da Democracia. Não a democracia na qual todo mundo não se sinta devidamente dentro, incluído. Democracia no sentido da igualdade de condições de poder participar”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.
Visão artificial

A magistrada informou que o TSE adquiriu, recentemente, três óculos com tecnologia da inteligência artificial que irão auxiliar pessoas com visão reduzida, com dislexia e pessoas analfabetas a enxergarem por meio de audiodescrição. “É um mecanismo realmente da maior importância e a gente sempre espera que haja mais possibilidades. Porém, há a cegueira para os valores que as pessoas têm e que gera os preconceitos. O pior defeito para uma limitação que a pessoa pode ter é o preconceito. Um dia haverá de haver óculos como esses contra os preconceitos. Nós vamos melhorar muito a vida na sociedade”, disse a magistrada.

O secretário de Gestão da Informação e do Conhecimento (SGIC) do TSE, Cleber Schumann, informou que os dispositivos serão utilizados para quem precisar da tecnologia durante as visitas ao Museu do Voto e à Biblioteca Alysson Darowish Mitraud, ambos localizados na sede do TSE, em Brasília (DF).
Desconstruindo o capacitismo

Participante do 3º Encontro de Acessibilidade e Inclusão da Justiça Eleitoral e servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Elinaldo Camelo Paiva, que tem deficiência visual, já é usuário da tecnologia e compartilhou as funcionalidades do dispositivo, como reconhecimento facial, de cédulas de real e de cores, além de leituras de livros, tudo por meio de audiodescrição.


Elinaldo Camelo afirmou que os óculos são mais uma tecnologia assistiva para facilitar a vida da pessoa com deficiência e, com a aquisição da tecnologia, o Tribunal “já está desconstruindo o capacitismo”, que é a discriminação e o preconceito contra as pessoas com deficiência. “Então, a pior barreira que existe na vida das pessoas com deficiência é a barreira atitudinal, ou seja, são as atitudes das pessoas. A partir do momento em que as pessoas se preocupam com o próximo, independente de deficiência ou não, a gente já está desconstruindo o capacitismo, já está facilitando a vida daquela pessoa, está trazendo-a para o meio. Assim, essa pessoa se torna cada vez mais digna e mais feliz e mais à vontade para viver em qualquer ambiente”, declarou o servidor.
Temas

Durante o encontro, servidores do TSE, de tribunais regionais e a comunidade debateram temas, como acessibilidade e transformação digital, acessibilidade nos locais de votação e arte, esporte e cidadania. Vieram para o evento servidores de 18 tribunais regionais eleitorais (TREs) que trabalham com acessibilidade ou apresentam algum tipo deficiência, visual ou de mobilidade.

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