Discos de vinil mantêm adeptos mesmo na era da música digital
É possível encontrar os discos a preços muito baixos em lojas e boxes no Centro do RecifeFoto: Júlio Cirne
NE10
Durante muito tempo eles foram a única forma de ter em casa a música daquela banda ou cantor de quem se gostava. Esquecidos pela maioria durante muito tempo, os discos de vinil voltam ao gosto do público em pela era da música digital. Em homenagem ao Dia Nacional do Vinil, comemorado nesta quarta-feira (20), o NE10conversou com amantes desses discos e te dá dicas sobre locais para comprar os "bolachões" no Recife.
Com 19 anos e fã dos Beatles desde criança, Carolina Leitão já conhecia os discos de vinil, mas decidiu comprar LPs de sua banda favorita por achar que o som tem qualidade melhor: "Já conhecia o vinil por já ter ouvido disquinhos de histórias infantis quando menor. Acredito que tenham uma qualidade mais alta". A jovem já possuía um tocador de discos quando comprou dois álbuns dos Beatles em sebos do Centro do Recife, área que apresenta grande variedade para quem se interessa, com preços variando entre R$ 1 e R$ 300.
Trabalhando coma a venda de LPs desde os 12 anos de idade, Wellington Soares é o dono de um dos Box onde Carolina comprou os discos dos Beatles. O vendedor de 42 anos ressalta que o vinil nunca esteve totalmente esquecido, como acreditam alguns: "Eu vendia menos, mas nunca deixei de vender todo esse tempo".
Wellington explica que as vendas cresceram de maneira mais expressiva há cerca de 5 anos. Mas ele lembra que, pelo menos para quem vende discos usados, não há uma estabilidade nas vendas. "Pode acontecer de eu não vender nenhum disco a semana inteira, como também acontece de uma pessoa comprar 20 discos de uma só vez".
Essa instabilidade também é lembrada por José Rosenildo, com 43 anos e um dos vendedores da Dinossauro Discos, loja vizinha ao Box de Wellington e que voltou a vender os discos há cerca de dois anos. "Voltamos a vender não porque percebemos esse aumento na procura, mas porque os próprios clientes perguntavam se tínhamos", contou.
Os dois vendedores alegam que os LPs de bandas estrangeiras de rock são os mais procurados. Mas a variedade nos boxes onde eles trabalham, na Rua Marquês de Recife, passa pela MPB, Românticos e música típica latina.
Se tratando de discos de Rock, a loja mais lembrada no circuito é a Vinil Alternativo. Localizada na Rua Sete de Setembro, na Boa Vista, a loja é comandada por José Miranda desde 1990, quando foi fundada. Amante do rock e dos discos, Miranda, com 68 anos de idade, ainda tem o primeiro disco que comprou na vida.
"Foi o Here's Little Richard. Comprei em 1963 e o tenho até hoje", disse o vendedor, pegando o celular para mostrar a foto do disco de estréia do cantor americano. Apesar do nome, a Vinil Alternativo também vende discos de MPB e outros gêneros. Um LP na loja pode ser comprado por preços que variam entre R$ 30 e R$ 120. A alta qualidade na conservação das capas é o diferencial da loja.
Já para quem quer preços mais baratos e está disposto a passar horas garimpando, a MM Vinil, no bairro de Santo Antônio, é uma boa dica. Na verdade se trata de um galpão, onde são armazenados cerca de 30 mil discos, entre LPs e compactos.
O dono desse acervo gigantesco é Maurício Gonzaga, 42 anos. Vendendo discos desde 2001, ele afirma que a maior parte dos discos foi adquirida de pessoas que se desfizeram de suas coleções quando o CD começou a se popularizar. "Aqui no galpão tem 30 mil, só que na minha casa eu tenho uns 80 mil, no mínimo".
Dentre os títulos, o mais caro que ele vendeu foi um exemplar do primeiro disco da carreira de Roberto Carlos. "Eu vendi por R$ 1.000. O comprador ficou tão feliz por ter encontrado o disco que nem reclamou do preço, nem pechinchou".
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