Com Operação Politéia, Pernambuco fica no alvo da Lava Jato

Paulo Veras
JC Online

Polícia Federal apreendeu documentos, HDs, notebooks e dinheiro em Pernambuco
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Apartamentos e escritórios de três senadores, um deputado federal e diversos empresários em sete Estados do País foram vasculhados nessa terça-feira (14) por 250 policiais federais durante a Operação Politeia, que tinha como alvo políticos com foro privilegiado investigados em inquéritos da Lava Jato ou pessoas ligadas a eles. Os 53 mandados de busca e apreensão emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) buscavam impedir a destruição de provas de ilícitos e confiscar bens que teriam sido obtidos de forma ilegal. No País, a Polícia Federal apreendeu documentos, HDs, carros, joias e relógios, obras de arte e R$ 4 milhões em espécie, além de quantias em euro e dólar.

Em Pernambuco, oito mandados foram cumpridos. No Estado, os principais alvos foram a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e as casas do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), do deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e do então presidente da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), Aldo Guedes Álvaro.


Às 5h20 da manhã, 48 policiais federais e oito procuradores da República deixaram a Superintendência da PF em Pernambuco para dar início à operação. Um imóvel da Jacarandá Negócios e Participações, empresa de Aldo, foi vasculhado pela Polícia Federal. Na Rnest, a PF foi a um escritório do consórcio C2.

Os policiais federais estiveram ainda nas casas dos empresários Caio Lins da Cunha Filho e Francisco Maurício Rabelo. Este último é irmão do deputado Eduardo da Fonte e sócio na empresa ADPL Motors, um dos oito locais vistoriados pela operação. Como não houve prisões, nem foram colhidos depoimentos, o clima foi tranquilo durante a manhã na sede da Polícia Federal, no Bairro do Recife, onde agentes chegavam carregando os malotes com material apreendido. O trabalho foi concluído por volta do meio-dia.

Nos oito endereços pernambucanos, a PF apreendeu documentos, HDs, notebooks e dinheiro em real, euro e dólar. Os valores foram depositado ainda ontem. O restante do material será enviado para Brasília até o final da semana, onde será feita a perícia técnica e a análise do material.

“Foi tudo tranquilo. Houve colaboração das pessoas que estavam presentes no local quando os policiais federais chegaram. E não houve nenhum tipo de transtorno, nem nenhum tipo de resistência”, afirmou o Superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro.

“A investigação continua. A análise de todo o material que foi arrecadado e as informações que foram obtidas vão ser feitas pela Polícia Federal lá em Brasília. E a partir de toda essa reunião de dados e informações eles vão chegar a conclusão da necessidade de novas diligências ou não”, explicou.

Desde o início da operação, a PF em Pernambuco não confirmou os locais onde foram executados os mandados, nem a quantia que foi recolhida, mas disse que alguns dos endereços pertenciam a políticos. Os investigados respondem aos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude em licitação e organização criminosa.

Politeia é uma palavra grega usada no livro “A República”, de Platão, para designar uma cidade perfeita, onde não há corrupção.

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