Universidades mescladas a estádios - Carlos Chagas
Vale insistir na
proposta, apesar de haver caído no vazio. Por que, depois de encerrada a copa do
mundo, o governo não anuncia que oferecerá aos estabelecimentos privados de
ensino a possibilidade de, durante a semana, utilizarem os estádios como
universidades e colégios? Seriam necessárias adaptações, mas poderia o BNDES
financiá-las a juros abaixo do mercado. Um investimento fundamental. Com tantos
espaços ociosos, os estádios funcionariam como centros de ensino sem maiores
prejuízos para as práticas de esporte para as quais foram construídos. Basta
usar a imaginação e apelar para a capacidade de arquitetos e engenheiros.
A ideia nem mesmo
é original. Leonel Brizola, quando governador do Rio de Janeiro, construiu em
tempo recorde o Sambódromo. A sugestão partiu de Darcy Ribeiro: fora do
Carnaval, as instalações funcionariam como escolas. Perto de 50 salas de aula
foram implantadas na estrutura, graças ao gênio de Oscar Niemayer. Funcionam até
hoje.
Os donos de
universidades particulares faturam o diabo, fora os incompetentes. Ficariam
felizes se pudessem aumentar em alguns milhares o número de alunos regiamente
cobrados. E o ensino ganharia, para não falar na oportunidade da contratação de
novos professores. O ENEN ainda esta semana polarizou mais de dois milhões de
candidatos a estudar em universidades privadas com dinheiro público. Os
componentes básicos dessa equação parecem à vista de todos.
Em suma, importa
bater na mesma tecla: é preciso imaginação. Os elefantes brancos erigidos ou
reformados às custas de tantos bilhões poderão, sem prejuízo de sua atividade
principal, contribuir para sensível avanço no ensino nacional. Basta que a
presidente Dilma decida, dispondo, até, de forte bandeira eleitoral.
TRIBUNAL
CONSTITUCIONAL
Na reforma
política que não será aprovada este ano, talvez nem na década atual, bem que
poderia ser discutida a reformulação do Supremo Tribunal Federal. Cada um dos
onze ministros, hoje, defronta-se com pelo menos seis mil processos, a maioria
deles envolvendo questões pouco importantes. A função específica da mais alta
corte nacional de justiça é de interpretar a Constituição.
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