Crise no PT pernambucano está longe de acabar

Mariana Almeida _PE247 - A orientação da Executiva nacional do PT, que determinou que os integrantes do partido entregassem os cargos que ocupavam nas administrações do PSB, que tem o governador Eduardo Campos como potencial candidato à Presidência da República em 2014 e, portanto um possível adversário à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), apesar de seguida pelo PT pernambucano está sendo alvo de mais uma desavença interna. As críticas, movidas principalmente pelo ex-prefeito do Recife, João da Costa (PT), e pela deputada Estadual Teresa Leitão (PT) - candidata ao Processo de Eleição Direta (PED) pela corrente Mensagem ao Partido - entram em choque com a defesa do senador Humberto Costa (PT-PE), e do deputado Federal e presidente estadual do partido, Pedro Eugênio. A cizânia ameaça colocar em xeque a realização do PED além de enfraquecer a construção de um palanque forte para a presidente Dilma.

Desde a saída do PSB do governo Dilma, há cerca de um mês, membros do PT – a exemplo de Humberto Costa e do deputado Federal João Paulo – defenderam o descolamento da legenda no governo de Pernambuco, em uma ação do tipo “toma lá, dá cá”. A separação, porém, foi reprimida pela Executiva Nacional petista, que recomendou ao diretório estadual que os pernambucanos esperassem por uma sinalização concreta de que Campos iria disputar o pleito presidencial em 2014. Entretanto, após a aliança entre PSB e a Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, membros da CNB (corrente Construindo um Novo Brasil) declararam que a situação teria se tornado “insustentável”, e decidiram sair do governo.

O PED, porém, seria o principal motivo para a saída dos petistas do governo de Campos, na visão da deputada Teresa Leitão, uma das candidatas à presidência do diretório estadual petista. "A entrega dos cargos da CNB não levou em conta o PT. Não foi por amor ao partido ou desapego às posições. Foi com o pensamento voltado para as eleições do PED, no dia 10 de novembro”, criticou Teresa.

 “Eles estão querendo dizer que quem ainda não saiu do governo não é petista, é 'eduardista', tentando nos prejudicar e nos jogar contra o nosso partido”, condenou. Segundo Teresa, a saída da CNB do governo do presidenciável Eduardo Campos (PSB) mostra o desespero da tendência, devido às dificuldades que Bruno Ribeiro estaria enfrentando, como candidato ao diretório estadual em substituição ao atual dirigente, deputado federal Pedro Eugênio.

"Quando um candidato vai bem, como é o meu caso, eles tentam prejudicar, mas não vai dar certo", declarou Teresa. "Essa tentativa foi tão óbvia que quem anunciou que a CNB estava saindo do governo de Eduardo não foi Humberto Costa, foi o próprio Bruno Ribeiro, candidato deles. Isso não vai enganar ninguém", argumentou. 

Já para o ex-prefeito João da Costa, o ato da CNB foi movido por ressentimentos alimentados desde as eleições municipais de 2012. “A entrega, como foi feita, foi uma decisão política, movida por ressentimentos e mágoas. Não se pode conduzir um partido com esses sentimentos”, lamentou. “Isso enfraqueceu o partido, fragilizou o PT. Eles passaram à frente de um processo que estava sendo montado, e antes que as discussões fossem concluídas, uma parte do partido tomou a frente e entregou as pastas", criticou. A participação de Pedro Eugênio no ato também foi alvo de críticas junto ao ex-prefeito. "Ele não me representa mais", condenou.

Em entrevista, Humberto Costa declarou que a saída da CNB do governo se deu por insatisfação do grupo com as atitudes de Eduardo Campos. “Nós saímos do governo porque vimos que não dava mais para continuar em uma administração que condene o PT da maneira que Eduardo vem fazendo durante as inserções nacionais”, declarou Humberto. “Deixamos o governo também para termos mais liberdade em conversar com o partido, para convencer o resto do PT a deixar a base do governo também”, defendeu o senador, que já pedia uma separação estadual entre o PT e o PSB desde a entrega dos cargos que os socialistas ocupavam na administração federal à presidente Dilma, há cerca de um mês.

Já para o presidente do PT no Estado, Pedro Eugênio, “a decisão da CNB de sair do governo foi a partir de um entendimento de que as pessoas ligadas à presidente Dilma que detém cargos na administração do PSB-PE deveriam disponibilizar os cargos". Para Eugênio, entretanto, a decisão do conjunto não nega uma necessidade de uma decisão partidária. Sobre a rejeição de João da Costa à decisão e à liderança de Eugênio, ele foi tranquilo. “Se alguém acha que eu tomei uma atitude que não está de acordo com o que é pensado, é uma opinião. Mas essa opinião não destitui o fato de que eu ainda sou presidente do PT no estado, e represento os petistas institucionalmente”, argumentou.

A crise interna do PT pernambucano se ganhou corpo durante as prévias para a eleição municipal de 2012, quando o então prefeito, João da Costa, intencionou concorrer à reeleição à Prefeitura do Recife. Humberto Costa e João Paulo contestaram a decisão, e dividiram o PT entre os dois grupos, que se enfrentam desde então. Na época, Humberto e João Paulo acabaram formando uma chapa e disputando o pleito, mas foram derrotados ainda no primeiro turno por Geraldo Júlio (PSB), e também ultrapassados em número de votos por Daniel Coelho (PSDB). Com a derrota, o PT perdeu o a capital pernambucana após 12 anos de administração e terminou por rachar internamente. Uma crise que, pelo visto, está longe de chegar ao fim.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPERAÇÃO UNBLOCK

Nota de Esclarecimento

Nota à Imprensa