Oposição acusa governador Eduardo Campos de uso político do Diário Oficial
Mirella Araújo
Folha de Pernambuco
A acusação de que o governador Eduardo Campos (PSB), possível candidato à Presidência da República em 2014, continuaria fazendo uso do Diário Oficial de Pernambuco para fins eleitorais, voltou a ser levantada pela bancada de oposição da Assembleia Legislativa (Alepe). O líder da oposição, Daniel Coelho (PSDB), fez um levantamento e constatou que desde a publicação, em abril, da Folha de S. Paulo - mostrando que das 58 edições do D.O, entre janeiro e fevereiro, 47 delas promoviam o nome do governador Eduardo Campos - a tentativa de minimizar a imagem do socialista só foi feita em cinco capas das 20 últimas publicadas até agora.
"Chega haver, no dia 4 de junho, uma matéria publicitária sobre um evento festivo de São João que mais parece uma coluna social", criticou. Entre as capas citadas por Daniel, a do dia 5 deste mês, sobre as obras da Adutora do Agreste, foi a que deixou o tucano mais indignado. "O governador foi à Imprensa e disse que aquela obra não estava sendo realizada com o dinheiro federal ou estadual e, sim, com o dinheiro do povo. Mas o Diário Oficial diz que "Eduardo maior obra hídrica da America Latina", isso é o cúmulo da personificação do dinheiro público", declarou o tucano que teve o apoio dos deputados Betinho Gomes e Terezinha Nunes no aparte.
A deputada, inclusive, na época em que o levantamento foi abordado, solicitou ao Ministério Público de Pernambuco que abrisse uma investigação. Até o momento não houve posicionamento do órgão, mas Terezinha disse que irá fazer novas cobranças hoje. Na ausência do líder do Governo, Waldemar Borges (PSB), coube aos socialistas Raquel Lyra e Angêlo Ferreira rebaterem as acusações. Para Raquel, é necessário que se divulgue os festejos juninos, que são tradição no Estado e movimentam a economia dos municípios do Interior.
No caso da Adutora, Angêlo Ferreira afirmou que quem assinou a ordem de serviço para as obras foi o governador. "Gostaria que o senhor trouxesse os diários dos outros estados, do governador de Minas Gerais, de São Paulo. O que se está trazendo para esta Casa é uma antecipação do debate eleitoral do próximo ano, e precisamos ter mais serenidade na discussão desses assuntos", sugeriu.
GOTEIRAS
A reunião ordinária da Alepe não pôde ser realizada, ontem, no prédio sede. Devido às fortes chuvas, o plenário da Casa Joaquim Nabuco estava com goteiras, e por isso, os deputados tiveram que se dirigir ao plenarinho do 6º andar, do prédio Anexo I. De acordo com a assessoria, por se tratar de um prédio histórico, as devidas providências já foram tomadas e uma empresa foi chamada para fazer os reparos. A comunicação só não soube afirmar se a sessão, na manhã de hoje, já poderia voltar a ser realizada na sede. Em 2010, o plenário passou por uma reforma completa.

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