SERÁ QUE O BRASIL DE HOJE É A RÚSSIA DE ONTEM?
247 - Em 2008, Vladimir Putin era um presidente extremamente popular no Kremlin, que flertava com um terceiro mandato. Se forçasse, conseguiria. Havia tirado a Rússia do buraco financeiro, depois de várias crises econômicas, e devolvido a auto-estima ao País. Medvedev, no entanto, escolheu Dimitri Medvedev, um de seus mais leais colaboradores para o posto de presidente, e voltou quatro anos depois – o escolhido do Kremlin "optou" por não disputar a reeleição.
Em 2010, o cenário era bem parecido no Brasil. Pessoas próximas a Luiz Inácio Lula da Silva insistiam para que ele tentasse um terceiro mandato. Lula, no entanto, preferiu manter-se aferrado às regras democráticas e fez de Dilma Rousseff sua candidata. Ao longa da campanha, dizia-se que "Dilma = Lula 3". Na semana que passou, pela primeira vez, Lula mencionou a hipótese de voltar a ser candidato. E Dilma, quando foi indagada a respeito, respondeu que era cedo demais para tratar do tema.
Para os institutos de pesquisa, no entanto, 2014 já começou. E ontem o Datafolha realizou sua primeira sondagem incluindo Lula nos cenários. Ele venceria no primeiro turno, com 56% dos votos. Praticamente o mesmo desempenho de Dilma, que oscilaria entre 53% e 57%. O que fica claro, portanto, é que o eleitor enxerga os dois como parte de um mesmo projeto político, hoje aprovado pela maioria da população.
Se Lula será candidato ou não, só o tempo dirá. Para o eleitor brasileiro, a candidatura de Dilma à reeleição soa mais natural, uma vez que a pesquisa espontânea a coloca bem à frente de Lula. Mas o fato é que o ex-presidente vem sendo empurrado para uma nova disputa por seus próprios opositores, que, a cada semana, tentam desconstruir sua biografia. Uma das frases mais repetidas em Brasília é que Lula não pode permitir que o último capítulo de sua história seja escrito pelo Supremo Tribunal Federal e pelos adversários políticos.
Hoje, tanto ele como Dilma parecem imbatíveis. E o exemplo russo prova que a volta de Lula não pode ser descartada, apesar de todo o sucesso de Dilma.

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