UFRPE: 50% das Vagas Para Rede Pública de Ensino
Wellington Silva
Folha-PE
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Cinquenta por cento das vagas dos cursos de graduação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) serão destinadas aos alunos da rede pública de ensino já a partir de 2013. A decisão foi aprovada ontem por unanimidade pelos membros dos Conselhos Superiores da Instituição de ensino superior, apesar de a Lei de Cotas prevê a efetivação da política até o ano de 2016. Com isso, metade das 3.440 vagas, distribuídas em 44 cursos, nas sedes do Recife, Serra Talhada, no Sertão, e Garanhuns, no Agreste, serão preenchidas por estudantes oriundos da rede pública de ensino.
A implantação desse sistema já valerá na próxima seleção de alunos, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cujo acesso é a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. Dentro dos 50% das cotas, haverá ações afirmativas específicas direcionadas a questões sociais e raciais. A cota social para estudantes de famílias que recebem até um salário mínimo e meio e a racial para negros, pardos e índios, serão definidas por meio do Sisu, a partir do cruzamento de dados fornecidos pelos inscritos e pelos parâmetros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a pró-reitora de Ensino de Graduação da UFRPE, professora Mônica Lins Santiago, a universidade está sendo ousada por atender a lei integralmente já no primeiro ano. “Mais da metade de nossos alunos já são de escolas públicas. Acontece que não temos a uniformidade em todos os cursos, turnos e entradas. Então, com todos os estudos e pesquisas que vêm sendo realizadas, os indicadores mostram que o desempenho de cotistas e não-cotistas não é tão diferente”, explicou.
A pró-reitora contou ainda qual foi a motivação da medida aprovada ontem. “Estamos ampliando a possibilidade do aluno da escola pública escolher qualquer curso ofertado pela instituição. Ao longo do tempo temos observado que esses estudantes não se candidatam a determinadas graduações. Isso acontece por vários motivos, entre eles a concorrência ou por achar que a nota não será suficiente para aprovação”, comentou.
A notícia agradou ao jovem Cláudio Sales, 18 anos, estudante da Escola Estadual Professor Motta e Albuquerque, no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. “Acredito que isso aumenta as chances de nós da rede pública entrarmos em uma universidade federal. Contudo, acho que com isso algumas pessoas de escolas privadas irão migrar para o ensino público, aumentando a concorrência nos próximos anos”, ponderou o jovem, que concorrerá a uma vaga do curso de Bacharelado em Ciência da Computação.

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