Renúncia de Rands Foi o Maior Prejuízo do PT

A autoritária decisão da executiva nacional do PT de indicar o senador Humberto Costa para ser o seu candidato à prefeitura do Recife virou pelo avesso o cenário político pernambucano. Ela produziu uma série de efeitos, sendo o mais grave de todos a perda de um de seus parlamentares mais qualificados: o deputado federal Maurício Rands, que ontem por meio de uma carta ao povo pernambucano comunica sua saída do partido, da política e do governo Eduardo Campos (secretário de governo).

Antes, a divisão interna do PT já tinha acarretado as seguintes consequências: o afastamento do prefeito João da Costa da campanha do senador, o rompimento do PSB com o Partido dos Trabalhadores e reaproximação do governador Eduardo Campos do senador Jarbas Vasconcelos após 22 anos de desavenças. No entanto, o corolário mais grave desse racha interno foi a inesperada decisão de Maurício Rands de renunciar ao mandato de deputado para voltar à sua banca de advocacia.

Trata-se de uma decisão de foro íntimo, que deve ser respeitada por seus correligionários e amigos. Mas se o deputado fosse um profissional da política (algo que ele nunca quis ser), não teria chegado a ponto extremo. Teria juntado a sua voz à do deputado Fernando Ferro para cobrar no Congresso e fora dele uma modificação radical no Estatuto do PT, de nítida inspiração stalinista, para que as grandes decisões do partido não sejam mais tomadas em São Paulo por meia dúzia de burocratas. 

Inaldo Sampaio

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